No cenário atual da indústria de games, a aversão ao risco é vista como um dos maiores desafios. Rami Ismail, cofundador da Vlambeer e produtor de Nuclear Throne, compartilhou suas observações durante o DevGAMM Madeira Games Summit.

Com orçamentos crescentes e uma concorrência acirrada, os estúdios estão cada vez mais optando por seguranças, como sequências de franquias conhecidas e remakes de clássicos. A Xbox, por exemplo, tem se concentrado em suas grandes marcas como Halo e Fallout, mas essa estratégia também resultou em demissões em massa e um desempenho financeiro decepcionante.

Ismail argumenta que essa cautela excessiva pode estar contribuindo para as dificuldades enfrentadas pela indústria. Durante o evento, ele ressaltou que a criatividade é fundamental para o sucesso dos jogos, e que o medo de falhar muitas vezes leva a produções homogêneas e sem inspiração.

O grupo de discussão destacou exemplos de jogos que alcançaram sucesso por serem guiados pelas crenças e gostos pessoais de seus criadores, ao invés de seguir tendências de mercado. Entre eles estão títulos como Peak e Clair Obscur: Expedition 33.

Além disso, Ismail sugeriu que a indústria deve aprender a encerrar projetos que não estão dando certo mais cedo, ao invés de continuar investindo tempo e recursos em ideias fracas. Essa abordagem pode evitar os erros que foram cometidos em estratégias de jogos como os serviços ao vivo da Sony, que falharam em grande parte.

Por fim, Ismail concluiu que o medo de riscos é, paradoxalmente, o maior risco que a indústria enfrenta. Ele observa que os maiores sucessos geralmente vêm de onde menos se espera, como demonstrado pelo recente sucesso de Meccha Chameleon, que superou muitos outros jogos em receita.