O mercado de PCs enfrenta desafios crescentes devido à crise persistente de memória e armazenamento, segundo a Intel. Em uma chamada de resultados, o CEO Lip-Bu Tan afirmou que os próximos trimestres serão difíceis para o setor, com a demanda por chips de consumo pressionada por restrições na cadeia de suprimentos.
Diante disso, a empresa está reconfigurando sua capacidade de produção no nodo 18A — onde estão os chips Panther Lake e Wildcat Lake — para focar mais em produtos para data centers, como o Clearwater Forest. Segundo o CFO David Zinsner, parte da capacidade que seria usada para Panther Lake está sendo realocada para fabricar mais chips voltados para servidores.
Apesar da dificuldade geral, os processadores de entrada da linha Wildcat Lake estão sendo um dos grandes destaques. Zinsner destacou que as unidades produzidas aumentaram cerca de 70% em relação ao trimestre anterior e que o produto está esgotado no mercado. Isso mostra que há uma forte demanda por soluções mais acessíveis, mesmo em um cenário de escassez.
A crise não está limitada à produção de chips: a Intel também enfrenta restrições no fornecimento de substratos, o que aprofunda os problemas na cadeia de suprimentos. A situação pode se estender até 2030, com previsão de queda de mais de 20% na produção de CPUs dedicadas a jogos no próximo ano, segundo analistas internos.
O impacto se reflete diretamente no mercado brasileiro, onde o aumento nos preços de memória e SSDs tem afetado a compra de PCs completos. Com a escassez de componentes, consumidores têm adiado compras, o que reduz os pedidos dos varejistas e, por consequência, dos fornecedores.
A ação da Intel caiu 23% em negociações após o fechamento do pregão, refletindo o pessimismo do mercado sobre o cenário próximo.