Após anos de instabilidade e decisões questionáveis, a BioWare foi oficialmente encerrada. A notícia deixou muitos fãs e profissionais da indústria devastados. Para quem acompanha o mundo dos games há tempo, o fim da desenvolvedora era um medo constante — especialmente para quem teve sua trajetória profissional e pessoal marcada por títulos como Mass Effect e Dragon Age.
O autor Kenneth Shepard, que trabalhou com a história da BioWare por anos, conta que o impacto desses jogos foi profundo. Ele não só construiu sua carreira ao analisar os jogos da studio, como também se viu refletido em personagens como Shepard, Ryder e Rook. Cada personagem representou uma versão de si mesmo em momentos diferentes da vida.
Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024, foi visto como um retorno à essência da BioWare: histórias centradas no jogador, escolhas com consequências e mundos ricos em detalhes. Mesmo com críticas, o jogo mostrava que a equipe estava finalmente em sintonia com o que havia de melhor em sua trajetória.
Porém, mesmo com esse sinal positivo, a Electronic Arts (EA) decidiu encerrar a BioWare. A justificativa foi a de reestruturação para um modelo mais ágil — mas na prática, foi o fim de uma das maiores influências dos RPGs ocidentais. Mais de 400 funcionários foram demitidos, e o próximo Mass Effect, que estava em desenvolvimento, foi cancelado.
Segundo o texto, a EA sempre teve um histórico de aquisições seguidas de fechamentos. A BioWare, que foi comprada em 2007, passou por uma série de transformações forçadas: tentativas de adaptar-se ao modelo de jogos vivos e open world, como em Anthem e Dragon Age: Inquisition, que não agradaram a comunidade.
Apesar de alguns veteranos da BioWare reconhecerem falhas internas, o texto aponta que a pressão da EA — especialmente em relação a metas financeiras e modelos de monetização — foi um dos principais fatores do colapso. O fechamento não foi inevitável. Um novo dono poderia ter mantido a autonomia criativa da equipe e permitido que ela voltasse a brilhar.
O fim da BioWare também representa uma perda para comunidades LGBTQ+, que encontraram representação e acolhimento em jogos como Mass Effect e Dragon Age. A studio era um dos poucos lugares onde personagens não-binários e histórias inclusivas eram tratadas com seriedade.
Em vez de um novo começo, o que temos é o silêncio de uma legião de criadores. E, como diz o título: não precisava ter acabado assim.