Quando Jensen Huang ainda estava no palco do GTC 2021, em meio a uma cozinha iluminada por luzes de LED, o foco era claro: entregar mais poder de processamento para gamers. Hoje, cinco anos depois, o cenário mudou radicalmente. O mesmo executivo agora se vê diante de câmeras do CBS News, negando que a IA possa causar o fim do mundo — e até conversando com o presidente dos EUA sobre o assunto.
As palavras de Huang foram uma resposta direta às afirmações do ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon, que afirmou que o avanço da inteligência artificial poderia levar à extinção humana até 2030. "2030 não será o fim do mundo. Não há 0% de chance disso acontecer", afirmou o CEO, criticando o medo como algo "injustificado" e "irresponsável".
É um contraste marcante com os tempos em que a Nvidia era, acima de tudo, uma empresa voltada para o mercado de jogos. Hoje, a empresa está totalmente alinhada ao setor de IA, e o sucesso da companhia está diretamente ligado à adoção segura dessas tecnologias. "Nosso valor depende da implantação segura de produtos e serviços de IA", disse Huang.
Enquanto isso, no Brasil, o sonho de comprar uma GPU da série 50 pelo preço de fábrica ainda parece distante. Mesmo com a evolução do mercado, a escassez persiste — e os preços acabam inflados por demanda, especulação e restrições de importação.
Curiosamente, o estilo de Huang também mudou pouco: ainda usa aquele jaqueta de couro que virou meme em 2021. Agora, porém, ela acompanha uma agenda de encontros com líderes mundiais, incluindo uma visita ao governo dos EUA com o objetivo de influenciar a política tecnológica global — especialmente em relação à China.
É um novo capítulo para uma empresa que, há pouco tempo, era conhecida por entregar desempenho em jogos. Hoje, está no centro de debates sobre o futuro da humanidade — e ainda assim, para muitos brasileiros, o maior desafio continua sendo encontrar um cartão de vídeo com preço justo.