O aumento nos jogos de vampiro no Steam pode não ser apenas coincidência — é um sinal do clima econômico global, segundo análise feita por Lincoln Carpenter, jornalista do PC Gamer. Com a economia mundial passando por turbulências, desde crises de suprimentos até demissões em massa, o tema dos vampiros tem se tornado cada vez mais presente nos lançamentos da plataforma.

Desde o fracassado Redfall, em 2023, surgiram títulos como Vampire Survivors, V Rising, Nighthawks e Moonlight Peaks, todos com foco em criaturas noturnas, imortalidade e temas sombrios. Isso não é só uma coincidência estética, mas um reflexo das preocupações coletivas em tempos de instabilidade.

Para chegar a essa conclusão, o autor analisou mais de 1.200 jogos marcados com a tag "Vampires" no Steam. A tarefa foi complexa: a tag é usada de forma genérica, muitas vezes em jogos que só têm um personagem vampiro ou um toque temático. Para garantir precisão, ele filtrou apenas os títulos com foco real no tema — aqueles em que o vampirismo é central à jogabilidade, narrativa ou mecânica.

Além disso, foi necessário cruzar dados de lançamento com a data de primeira listagem no SteamDB, uma ferramenta que rastreia quando os jogos aparecem na loja antes do lançamento oficial. Assim, foi possível identificar quando os desenvolvedores começaram a se interessar pelo tema, mesmo que o jogo tenha levado anos para sair.

Apesar de o método ter uma dose de subjetividade — como a exclusão de Resident Evil Village, que tem uma protagonista vampira icônica — os dados apontam para um crescimento consistente nos jogos sobre vampiros nos últimos anos. E, como o jornalista brinca, "não se pode confiar em quem tem acesso a planilhas". Mas os números sugerem um padrão claro: quanto mais instável a economia, mais os jogadores e desenvolvedores se voltam para histórias de imortalidade, opressão e sobrevivência.

Seja como for, o fenômeno reflete uma tendência cultural que vai além do entretenimento: os vampiros, como símbolos de exploração e desigualdade, parecem estar mais relevantes do que nunca — especialmente no Brasil, onde o custo de vida e o desemprego têm pressionado o mercado de games.