O diretor Kane Parsons acredita que sua versão dos Backrooms se transformou em um tipo de 'gíria cultural menor' para representar o conceito de espaços liminais — aqueles ambientes vazios, repetitivos e desconcertantes que despertam uma sensação de estranhamento.

Segundo Parsons, o sucesso do filme de 2024, lançado pela A24, ajudou a consolidar essa imagem na cultura popular. Ele destaca que até South Park usou o tema em um episódio recente, mostrando como a versão do filme está começando a substituir ou influenciar as interpretações originais do fenômeno online.

Apesar do impacto, Parsons enfatiza que seu trabalho não é o 'canon' dos Backrooms. Para ele, a força do conceito está justamente na sua imprecisão: não deve ser definido, não precisa ter consistência. "É uma ideia que existe no vazio", diz. "O objetivo não é explicar tudo, mas deixar uma impressão difusa, como um sonho que você não consegue lembrar direito."

Ele admite que gosta de detalhes — como o tipo de parafuso usado nas paredes ou a origem da madeira —, mas alerta que ir longe demais pode transformar o conceito em algo que perde o poder emocional. "Não acho que as pessoas gostem de um sonho que foi totalmente controlado. O misterioso é o que permanece no fundo da mente."

Para Parsons, o verdadeiro valor dos Backrooms, assim como do universo SCP, está na sua natureza não contida. "Você não pode dominar isso como um IP. Ele se dissolve com o tempo, e quem sabe onde vai parar?"