Uma locadora de Araucária, no Paraná, está comemorando 32 anos de funcionamento e se tornou um testemunho vivo da evolução dos videogames no Brasil. A Cruel Games reúne fotos, memórias e registros de décadas em que jogar exigia um real por hora — uma realidade comum em um país onde consoles eram caros e inacessíveis para a maioria das famílias.
Segundo o editor Felipe Pepe, do CRPG Book, um acervo da locadora mostra o dia a dia de pessoas sentadas diante de TVs de tubo, jogando Super Nintendo, PlayStation original e outros sistemas, muitos deles importados do Paraguai. Na época, cartão de crédito era raro, e a única forma prática de experimentar jogos era por meio de locadoras ou lan houses.
Esse modelo, hoje quase esquecido, ajudou a formar uma geração de jogadores que descobriu o universo dos games em espaços comunitários, onde o acesso era mais democrático — mesmo que por preço fixo por hora.