O novo set de Magic: The Gathering, Reality Fracture, prometia ser um dos momentos mais importantes da saga recente do jogo. Após anos de arcos narrativos que envolveram personagens como Jace Beleren, o desfecho final mostra um universo paralelo criado por ele — o Echoverse — com versões alternativas de figuras icônicas do universo de Magic. Mas, em poucos momentos, tudo é destruído.
Na conclusão da história, o monstro cósmico Emrakul devora o Echoverse inteiro, eliminando todos os seus habitantes. A cena é grandiosa, com estudantes mágicos em fuga e um grupo de esfinges lutando contra uma entidade inimaginável. No entanto, o impacto emocional é quase nulo. Nenhum personagem importante do universo principal sofre consequências reais, e o único “cambio” é a morte (ou quase) de Jace — com sua chama de planewalker mantida em outro personagem, como um recurso de segurança para o futuro.
Essa narrativa reforça uma crítica crescente: o uso excessivo do multiverso em Magic tem tornado as histórias menos impactantes. Quando tudo pode ser revertido com um clique, as consequências perdem peso. O que funcionou em títulos anteriores — como Scars of Mirrodin, com uma batalha real e incerta sobre o destino de um único plano — agora parece desatualizado em meio a grandes arcos que não mudam nada.
Além disso, o sistema atual de lançamento de sets, sem blocos fixos e com mudanças constantes entre planos, impede que os jogadores se conectem com os personagens ou ambientes. O Echoverse era cheio de ideias interessantes — um Gideon Jura vilão, uma Chandra no Consulado, uma Mirrodin livre da corrupção dos Phyrexian — mas não teve tempo para se desenvolver.
Segundo o artigo do Polygon, o problema não é a escala da história, mas a ausência de consequências reais. Quando o multiverso é o cenário, qualquer mudança pode ser desfeita sem custo. E, no caso de Magic, a empresa não tem interesse em mudar o status quo — afinal, o universo é a principal fonte de lucro da franquia.
Para que as narrativas voltem a importar, o artigo sugere que Wizards of the Coast precise voltar a histórias mais focadas, com limites claros e consequências duradouras — como aconteceu com Edge of Eternities — em vez de arcos que prometem transformar o universo e, no fim, nada muda.
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