"Avengers: Endgame - Encore" voltou aos cinemas com novos trechos, mas o que parecia ser uma celebração do legado do MCU virou um ato de desespero narrativo. O reforço de cenas novas, que prometem ligar o passado ao futuro do universo, é menos uma conclusão ousada e mais uma tentativa de fingir que tudo fazia sentido desde o começo.
Quatro novos trechos foram inseridos na reedição: um com Loki visitando Steve Rogers após o fim de "Ultimato", outro mostrando a TVA detectando múltiplas invasões entre universos — inclusive o dos X-Men da Fox —, um terceiro com Banner sendo levado por Doom logo após "Spider-Man: Brand New Day", e um quarto, talvez o mais ridículo, que transforma o som de martelo no final do filme em uma cena de Doom forjando sua máscara. Isso, claro, não era verdade em 2019.
Essa última cena é um exemplo claro do que está errado. No original, o som de martelo era uma homenagem a Tony Stark, um momento emocional que ligava o início do MCU, em 2008, ao sacrifício final do herói. Agora, Marvel quer que a gente acredite que o som era Doom o tempo todo. É como se a empresa dissesse: "Poxa, você achou que era Tony? Não, era Doom. E isso sempre foi assim".
Por trás disso, há uma realidade difícil: o plano original com Kang, interpretado por Jonathan Majors, foi abandonado após o escândalo de violência doméstica em 2023. Com isso, o vilão central do próximo filme, "Avengers: Doomsday", precisou ser recriado do zero. E o caminho escolhido foi trazer de volta Robert Downey Jr. como Doctor Doom e Chris Evans como Steve Rogers — não por necessidade da história, mas por nostalgia e segurança financeira.
Kevin Feige tenta vender a ideia de que o buildup de Thanos foi sempre parte de uma narrativa cuidadosamente planejada. Mas, na verdade, o vilão já era um nome conhecido antes de "Guerra Infinita". O que mudou foi a estrutura da franquia, que agora precisa de reedições e cenas forçadas para preencher buracos criativos.
"Encore" não é só um filme reeditado. É um sinal de que o MCU está tentando se esconder atrás de memórias para evitar olhar para o que falhou. E, por mais que tenha recuperado o título de maior bilheteria de todos os tempos, o sentimento não é de vitória — é de decepção. Porque, no fundo, Marvel está dizendo: "Acreditamos que você é burro o suficiente para acreditar nisso".