Os últimos dias têm sido intensos para quem acompanha o cenário de modding: um fenômeno inusitado tomou conta do X (antigo Twitter), com vídeos de mashups de jogos criados por meio de IA. Modders estão usando o Claude Opus 5.5 para descompilar títulos como Call of Duty: World at War, Escape from Tarkov e Spider-Man de Insomniac, e fundindo-os com outros universos, como Skylar ou Batman: Arkham City.

O resultado? Jogos surrealistas em que personagens de um universo se movem em cenários de outro, com mecânicas híbridas e comportamentos estranhos — como um soldado do Call of Duty se movendo em um mapa de Tarkov, ou Peter Parker pulando por Gotham City. Esses vídeos estão sendo amplamente compartilhados, gerando centenas de comentários e engajamento.

A tecnologia por trás disso é o Claude Opus 5.5, modelo de IA da Anthropic que, segundo a empresa, é mais eficiente e barato em tokens. Embora criado para uso profissional, muitos jogadores o estão adaptando para descompilar jogos e extrair código-fonte, o que permite a criação rápida de mods híbridos com mínima intervenção humana.

Apesar do frenesi, esses mashups ainda não apareceram em plataformas como Nexus Mods. Isso porque o site tem políticas claras contra o uso de conteúdo gerado por IA sem autorização — especialmente quando envolve assets, código ou arte de jogos de terceiros. Ainda assim, a tendência pode se espalhar, levando a um possível conflito jurídico.

A comunidade de modding não está contente. Muitos criadores, que passam meses desenvolvendo mods com dedicação, criticam a onda como “lixo criativo” e “slop” (uma expressão usada para designar conteúdo de baixa qualidade). Alguns até afirmam que esse movimento pode afastar criadores de longo prazo do cenário.

Apesar do impacto visual e do entretenimento, o fenômeno parece mais voltado para gerar engajamento do que para inovação real. Ainda assim, ele revela o potencial — e os riscos — de uma nova era do modding, onde a IA pode acelerar processos, mas também minar a ética e o valor do trabalho artesanal.