Ex-funcionários da BioWare estão revelando detalhes inéditos sobre o cancelado Mass Effect: Universe, um jogo que estava sendo desenvolvido para explorar as consequências das escolhas feitas ao longo da trilogia original. Segundo Romain Toutain, diretor técnico da franquia, o sistema de jogabilidade era projetado para ser altamente dinâmico, com um mecanismo que permitia a geração de linhas do tempo baseadas nas decisões dos jogadores em todos os títulos anteriores.

"Todas as escolhas feitas nos primeiros Mass Effect foram levadas em conta", disse Toutain em um stream no Twitch, onde comentava sobre o trailer interno do jogo. Ele explicou que o nome "Universe" não era apenas uma referência ao universo da franquia, mas sim uma indicação do sistema de ramificações narrativas. "Você podia praticamente gerar linhas do tempo, como em Zero Time Dilemma", afirmou.

O sistema era baseado em lógica e estado. O jogo poderia, a qualquer momento, pausar e verificar se uma ação era válida dentro do contexto da história. Se um personagem importante fosse morto, mas ainda fosse necessário para uma missão, o sistema poderia ajustar o roteiro automaticamente — ou permitir que a missão falhasse, dependendo da intenção dos designers.

"Tudo no jogo era stateful", contou Toutain. "Você podia matar alguém, e o jogo sabia se aquilo era permitido. Se não fosse, ele criava um novo ramo ou ajustava a história para manter o caminho aberto. Foi uma das coisas mais empolgantes que já trabalhamos."

Apesar da complexidade técnica, o sistema funcionava bem na prática. A ideia era dar aos jogadores autonomia total sobre o que acontecia no universo, algo que ia além do sistema de importação de salvos do Dragon Age: The Veilguard.

O trailer divulgado era apenas interno, criado para transmitir a atmosfera da equipe. Por isso, usou a música "Quartz", de French 79, em vez de uma trilha original. Um dos elementos mais comentados — o "sépia" que alguns acreditavam ser um artefato orgânico de um Reaper — foi revelado como sendo chamado de "Billy".

Com a aquisição da BioWare pela EA e o fim do projeto, fãs têm tentado mobilizar o apoio para salvar o jogo, mas Toutain acredita que a empresa não venderá o IP. "A EA nunca vende nada. Ela só fecha estúdios e mantém os direitos", disse.