Minha primeira vez assistindo a um torneio de Counter-Strike 2 ao vivo foi algo inesquecível. Foi em um galpão industrial em Varsóvia, na Polônia, durante o Logitech G Play 2026 — um evento com um prêmio de US$ 100 mil para o campeão. Apesar de não entender uma palavra do que era dito ao meu redor ou dos comentários em polonês, senti uma sensação de pertencimento rara.

Na arquibancada, cercado por fãs da CS2 de todo o mundo, vi as equipes Luminosity Gaming (Canadá) e 3DMax (França) se enfrentarem em uma partida eletrizante. As telas grandes cercavam o palco por todos os lados. Poderia ter escolhido o setor VIP, com cadeiras fixas no chão, mas preferi me misturar com os fãs comuns — aqueles que gritam em outros idiomas, que já me xingaram no jogo, que eu conheço como se fosse família.

Apesar de jogar Counter-Strike há mais de uma década, com alguns afastamentos ao longo do caminho, nunca me envolvi muito com o cenário profissional. Preferi sempre o jogo individual, a melhora constante, sem o peso de times ou torneios. Mas, sentado ali, percebi o que estava perdendo: o calor da comunidade, o clima de torcida, a energia coletiva que só o esporte ao vivo consegue gerar.

Na verdade, a sensação que senti foi parecida com a dos torcedores de futebol — aquela que só quem viaja para ver um jogo em pessoa conhece. Não foi amor à primeira vista. Levei um tempo para me acostumar com o ritmo do torneio, mas a conexão veio com o tempo. A ajuda veio de uma conversa rápida com dois jogadores da Luminosity, Azuwu e yxngstxr, que me pareceram genuínos e acessíveis. Isso me fez torcer por eles — mesmo que tenham perdido.

Foi também graças ao meu conhecimento do jogo que consegui acompanhar o que acontecia, mesmo sem entender o comentário. A segunda partida foi quando tudo se conectou. Ela foi para dois overtimes — algo raro, mesmo no cenário profissional. Nesses momentos, senti algo quase espiritual: o silêncio antes de um tiro, o grito coletivo após uma eliminação, a tensão que só o vivo consegue transmitir.

Na verdade, não foi só o jogo que me marcou. Foi a presença humana, o fato de estar entre pessoas que sentem o mesmo que eu — mesmo que não sejam da mesma língua, da mesma cultura, do mesmo país. Foi a prova de que, em meio ao caos, ao grito, ao exagero, há um lugar onde me sinto em casa.