Monster Hunter Outlanders, o novo título móvel da Capcom, está surpreendendo com sua fidelidade ao espírito de Monster Hunter World. Apesar de ser um jogo para celular, ele não simplifica o core gameplay, trazendo uma experiência que se sente próxima à de um título completo — com mapas instanciados, caçadas, coleta de materiais e uma progressão que lembra os jogos de console.
O jogo começa com uma abertura cinematográfica envolvente, apresentando o grupo do Adventurer's Guild em uma nova ilha chamada Aesoland. Lá, monstros com poderes aumentados por um mineral chamado Radiantite — chamados de espécies Radiantes — surgem com mecânicas adaptadas, como o Pukei-Pukei focando ataques na cabeça ou na cauda, facilitando o uso do sistema de lock-on mais simples do que nos jogos tradicionais.
Apesar da ambientação diferente, o jogo repete o ciclo clássico: missões, rastreamento, combate, colheita e fabricação. A exploração do mundo aberto é rica, com trilhas de scoutfly, estruturas construíveis como torres e ziplines, e interações naturais entre criaturas — tudo isso mantendo o senso de mundo vivo que marcou Monster Hunter World.
Na jogabilidade, há duas opções: Adventure Mode, voltado para iniciantes com três botões (Ataque, Reação, Burst), e Classic Mode, que oferece controle manual completo, incluindo combos por sequência de botões. A versão touch controlada é mais fluida no modo Adventure, mas perde parte da profundidade. Classic Mode, por outro lado, exige um controle físico para funcionar bem — o que levanta a pergunta: por que jogar isso no celular se dá para jogar no console?
Outra grande mudança é a introdução de um sistema de equipe com personagens recrutáveis, cada um com um estilo de combate baseado em uma arma específica. A recruta é feita por meio de gacha, usando uma moeda chamada Rutacoins. Ainda que seja possível montar um time completo com recursos do jogo, há preocupações sobre a dificuldade de conseguir personagens desejados, especialmente com o tempo.
O sistema de progressão é complexo: há várias moedas (Zenny, Rutacoins, Research Points), materiais de upgrade, e uma árvore de habilidades que exige tempo e paciência. Embora tudo seja jogável, o volume de itens, menus e tarefas pode tornar as primeiras horas cansativas, especialmente se comparado ao ritmo mais fluido de Monster Hunter World ou Rise.
Apesar de os elementos típicos de jogos móveis — como gacha e grind — estarem presentes, o jogo ainda demonstra respeito ao universo original. A apresentação visual é sólida, com bons gráficos e framerate estável no iPhone 14 Plus. A sensação geral é de surpresa: Monster Hunter Outlanders parece ter evitado os erros comuns de jogos móveis, mas ainda há dúvidas sobre como o sistema de progressão afetará a experiência a longo prazo.
Uma análise completa será feita com mais tempo de jogo, mas, por enquanto, o título mostra que é possível trazer a essência de Monster Hunter para o celular — desde que o jogador esteja preparado para lidar com um sistema mais complexo e um pouco mais pesado do que o habitual.