Funcionários da Electronic Arts estão relatando um nível alarmante de desânimo no ambiente de trabalho, descrevendo a empresa como um "lugar frio e morto" que se deteriora lentamente sob o comando de uma liderança que, segundo eles, prioriza lucros em vez de pessoas.
Segundo fontes anônimas entrevistadas pelo site Vertical Slice, a cultura interna foi corroída por uma combinação de exigências de IA, gestão ineficaz e falta de visão criativa. "O moral tem sido terrível", diz um dos colaboradores. "A frase que ouvíamos era 'faça menos, mas melhor', mas parecia que estávamos fazendo a mesma quantidade de trabalho com menos gente".
O foco em ferramentas de inteligência artificial, especialmente modelos como Claude, gerou desconfiança entre os times de desenvolvimento. "A alta administração estava animada com o potencial da IA, mas isso só aumentava o medo de que nossos cargos fossem substituídos", relata um dos entrevistados. "Ninguém diz que usar essas ferramentas é obrigatório, mas torna o trabalho quase impossível sem elas".
O caso da BioWare, recentemente desativada pela EA, é apontado como um exemplo do colapso interno. Projetos como Anthem e Veilguard foram marcados por decisões erráticas, com mudanças constantes de direção e pressão para transformar títulos em jogos de serviço ao vivo – algo que não deu certo. "Muito dinheiro foi desperdiçado em caminhos que não levaram a lugar algum", diz um ex-colaborador.
Além disso, há críticas à cultura de remuneração. Enquanto equipes são demitidas ou sobrecarregadas, executivos recebem pagamentos milionários. Um exemplo citado é o caso do Battlefield 6, que teve equipe reduzida e ainda assim gerou uma remuneração de US$ 38 milhões para o CEO Andrew Wilson em 2025 – o equivalente a cerca de 305 salários médios dos estúdios da empresa.
"A impressão é que os executivos não podem falhar, só podem ser falhados", diz uma fonte. "Eles têm sorte: o EA Sports FC ainda vende bem, o que permite financiar todos os seus erros".
O relatório encerra com uma frase que resume a crise: "O e-mail sobre mudanças organizacionais soou como se tivesse sido escrito por um robô. Isso resume a EA: um lugar frio e morto, que se degrada lentamente enquanto a liderança pilha cada último centavo, deixando o resto de nós preocupados com como sustentar nossas famílias".