Segundo Matt Radford, ex-artista de efeitos visuais de The Last of Us e Uncharted 4, a Naughty Dog foi criada com um propósito claro: vender hardware da Sony. Em entrevista ao canal Kiwi Talkz, ele revela que o estúdio tem liberdade para investir anos em projetos single-player de alto custo porque não precisa se preocupar com lucratividade imediata — o foco principal da Sony é o sucesso dos consoles.

Radford destaca que, por essa razão, o estúdio consegue produzir jogos com um nível de qualidade e profundidade que poucas outras empresas conseguem manter. Ele compara esse modelo ao de grandes obras arquitetônicas do passado, que só foram possíveis por um conjunto raro de habilidades, tempo e recursos — algo que, segundo ele, pode estar desaparecendo no mundo dos games.

"O que é tão bonito nisso tudo é que isso ainda existe", diz o ex-desenvolvedor. "Um dia talvez não haja mais espaço para gastar 600 milhões de dólares em um jogo de ação com uma boa história. Será que Uncharted 4, The Last of Us 2 ou até mesmo Intergalactic serão os melhores jogos que já foram feitos?"

O comentário ecoa uma preocupação crescente sobre o futuro dos grandes jogos narrativos. Com o aumento dos custos de produção e o domínio de jogos live-service, a existência de títulos como The Last of Us Part I ou Uncharted: Legacy of Thieves se torna ainda mais valiosa — não só como entretenimento, mas como símbolo de um modelo de produção que pode não durar para sempre.

Para o mercado brasileiro, isso reforça o valor de títulos exclusivos da PlayStation, que ainda são uma das principais razões para a compra de um PS5. Ainda que o preço do console seja alto, muitos jogadores brasileiros veem os jogos da Sony como justificativa para o investimento.