O Neo Geo AES+, o remake do clássico console arcade da SNK dos anos 90, quase não saiu do papel por causa da escassez de chips flash — um problema diretamente ligado ao crescimento explosivo dos data centers de IA. Segundo Ben Jones, diretor de hardware e software da Plaion, a produção do console estava em risco de ser cancelada após o anúncio, quando a empresa foi recusada pela primeira vez na história por não conseguir adquirir os componentes necessários.
"Foi a primeira vez que fui negado em 20 anos no setor", disse Jones. "Quando me disseram que não havia chips, só falei: 'Ah, AI'." A demanda por memória em data centers está desviando recursos da produção de hardware tradicional, inclusive de consoles retro, mesmo que usem tecnologia antiga.
Apesar do impasse, a equipe encontrou uma saída. Já tinham produzido os ASICs para os cartuchos originais, que controlam a memória. Com isso, começaram a trabalhar em um workaround: adaptar o sistema para usar flash serial, que está mais disponível, em vez do paralelo — o padrão original do Neo Geo.
"Não tínhamos escolha", afirmou Bruno Steux, CTO da Plaion. "Se não fizermos isso, o atraso seria enorme e o custo, insustentável." A mudança, embora necessária, atrasou o lançamento para setembro de 2027.
O console será vendido por US$ 249,99 sem cartuchos, que sairão por US$ 69,95 cada — um preço que só se justifica para fãs com orçamento apertado. Ainda assim, o projeto sobreviveu graças a uma combinação de planejamento prévio, criatividade técnica e pressão direta nos fornecedores, especialmente em Taiwan.
"Foi um momento de 'nada vai parar esse trem'", resumiu Jones. "Tivemos que ir até lá, falar com todos, esgotar todas as opções. Tínhamos que entregar."
Além do Neo Geo AES+, o problema afeta outros projetos de hardware retro, como handhelds da Retroid e Ayaneo, além de aumentos de preço em produtos como o Steam Deck OLED.