Nighthawks chega com tudo: um RPG de vampiros que não apenas se inspira no universo de Vampire: The Masquerade, mas realmente o respira. Desenvolvido pela The Curiosity Engine e publicado pela Wadjet Eye Games, o jogo se passa em Cradlebridge, uma cidade decadente onde a noite é rei e o sangue é moeda.

Assumindo o papel de um jovem vampiro em busca de seu mestre, você começa nas ruas sujas, onde criminosos, escravos sanguíneos e líderes de clube sombrios se entrelaçam. Logo, você assume o controle do Nighthawks, um bar noturno que vira seu centro de operações — e, com ele, seu novo lar entre os mortos vivos.

O jogo se destaca por um sistema de habilidades e traços bem pensado. Suas escolhas iniciais definem sua linhagem, poderes especiais e estilo de jogo. Pode-se ser um erudito que comanda ratos, um sedutor que manipula emoções ou um lutador que se veste de ferro. Não há uma única maneira de jogar — e cada decisão tem peso.

Os companheiros são um dos grandes destaques. Lux, a mágica de um cabaré rival; Maze, o vendedor de livros com dentes dourados e olhos vermelhos; e Domino, o detetive humano que mora no mesmo hotel. Cada um tem uma história complexa, cheia de segredos e traumas, e suas interações afetam como você se move pela cidade.

Explorar Cradlebridge é um prazer. Os arcos principais são desafiadores, mas não opressivos — cada ato tem um objetivo claro, mas sobra tempo para se perder em pequenas tramas, como descobrir quem está jogando um RPG de vampiros em um diner ou curar feridas com um médico que só trabalha com sangue vivo.

Apesar de tudo, há falhas. A caixa de entrada do jogo só foi descoberta pela autora no meio do segundo ato, o que atrasou progressos importantes. E algumas habilidades, como Tenebrous Form, parecem ter sido deixadas de lado por escolhas iniciais — algo que gera arrependimentos no meio da jornada.

Em contraste com Bloodlines 2, que parecia deserto e repetitivo mesmo nos primeiros minutos, Nighthawks respira vida. Não precisa de um mundo aberto gigantesco para parecer real. Basta uma cidade com história, personagens com profundidade e escolhas que importam.

Com apenas US$ 18, o jogo é um dos melhores investimentos para quem tem um Steam Deck ou quer mergulhar em um RPG de vampiros com alma. E, sim, tem até um pouco de humor e referências que agradam — mas sem cair no exagero. É mais PG-13 do que o anúncio da Valve sugeriu.

Em resumo: Nighthawks não é só um bom RPG de vampiros. É o que Bloodlines 2 deveria ter sido — e que o público estava esperando há anos.