Um novo RPG está se destacando no cenário atual de jogos japoneses: Eternal Anima, desenvolvido pela Marvelous com a atuação de veteranos da indústria como Katsuhisa Higuchi, programador de vários títulos da série Final Fantasy e diretor de Monster Hunter Stories, e Kazushige Nojima, roteirista de Final Fantasy VII, VIII e Kingdom Hearts.
O jogo gira em torno de Wade, um homem que consegue ver a história de objetos apenas ao tocá-los. Ele vive em Urvis Ael, um mundo onde o passado foi apagado e o conhecimento sobre ele é proibido. Perseguido como dissidente, ele viaja para o passado — especificamente para Ambulis, um continente que, no presente, está submerso sob o oceano — com o objetivo de descobrir as causas da degradação do planeta e mudar o curso dos acontecimentos.
Na demonstração apresentada antes da Tokyo Game Show, o jogador controla Wade e sua pequena equipe em um ambiente chamado Somber Woods, um lugar onde a Anima — a força vital do planeta — está sendo esvaziada pela exploração humana. Enquanto os habitantes do passado acreditam que orações e fé bastam para curar a Terra, os protagonistas do futuro sabem que o mundo será destruído se nada for feito. Eles estão lá para mudar isso.
O que torna Eternal Anima diferente de outros RPGs tradicionais é o sistema de combate baseado na Future Sight, uma habilidade que permite prever os próximos movimentos dos inimigos. Um indicador acima do menu mostra quando e qual ataque cada inimigo vai usar. Com essa informação, o jogador pode antecipar ações, atrasar ataques inimigos e “quebrar” seus movimentos — abrindo brechas para golpes devastadores.
Além disso, o sistema de BP (Battle Points) reforça a estratégia: cada turno, os aliados ganham pontos que podem aumentar o dano ou a eficácia de um ataque. O desafio está em decidir se vale a pena sofrer um dano leve agora para garantir um break crítico mais tarde, evitando uma derrota.
“Você olha para o futuro antes de agir, e suas ações mudam esse futuro”, explica o produtor Makoto Shioda. “Se você vê que um inimigo vai matar um aliado, pode atacar primeiro para evitar o dano.”
Apesar da profundidade do sistema, o jogo ainda soa como um tributo a clássicos como Chrono Trigger e Final Fantasy. M.O.S., o robô companheiro, lembra fortemente Robo, do mesmo título de Higuchi. A vila de La Boset, com seus líderes que acreditam que conviver com a natureza é o mesmo que cuidar dela, traz uma abordagem interessante, mas ainda soa familiar.
Segundo Higuchi, o jogo nasceu como uma reflexão sobre o legado das RPGs japonesas. “Enquanto não pensamos no legado real ao decidir o tema, ele se tornou central durante o desenvolvimento. O que temos hoje é o resultado do que foi passado antes.”
Com a promessa de explorar outros continentes com crises semelhantes — Wistregen, Himeshiro e Rotala — e uma narrativa que conecta passado, presente e futuro, Eternal Anima aposta em ser mais do que um simples tributo. A grande pergunta é: ele conseguirá se destacar como uma experiência única, ou será apenas mais um jogo que olha para trás com saudade?