O ano de 2015 marcou um dos momentos mais emocionantes da história dos games: o anúncio de Final Fantasy 7 Remake. Naquela época, o PlayStation parecia invencível — com uma linha de exclusivos impressionantes e um apoio constante a estúdios independentes. Mas mesmo nesse cenário de glória, o anúncio do remake de FF7 se destacou como um milagre.
Uma reinterpretação ambiciosa de um clássico que, até então, só existia em demos tecnológicas e sequências pouco convincentes. O projeto foi anunciado como uma trilogia para consoles da Sony, com um futuro distante. Na época, muitos duvidavam: será que o conteúdo original daria conta de três jogos modernos?
Depois de 40 horas explorando Midgar no primeiro jogo e outras 80 no Rebirth, a resposta é clara: sim. A trilogia está se tornando uma experiência densa, visualmente deslumbrante e emocionalmente envolvente. E, se Final Fantasy 7 Revelation for lançado no próximo abril como planejado, o ciclo inteiro será concluído em apenas sete anos — um feito quase impossível no atual cenário de jogos AAA.
Hoje, a indústria vive um cenário insustentável: estúdios fecham, milhares de funcionários são demitidos e projetos são cancelados por custo e tempo. A era em que se lançavam três jogos da série Uncharted em seis anos parece um conto do passado. Agora, mesmo um título como Intergalactic: The Heretic Prophet leva anos para ser finalizado.
Naoki Hamaguchi, diretor da trilogia, atribui o andamento acelerado ao fato de que a equipe principal permaneceu unida desde o início e que a visão do projeto nunca foi abalada. Isso gerou algumas imperfeições — como áreas abertas com design desatualizado —, mas compensadas por momentos de profundidade emocional e reinterpretações brilhantes de locais icônicos.
Segundo Hamaguchi, em entrevista ao Bloomberg, é improvável que algo com a mesma escala e qualidade em três títulos aconteça novamente. Não por falta de vontade, mas porque poucos títulos têm o apoio financeiro e criativo que o FF7 tem. Um clássico consolidado, com uma base de fãs fiel e uma marca forte, oferece segurança que poucos projetos atuais conseguem.
Além disso, a trilogia tem um propósito claro: atrair uma nova geração para o universo de FF7, com planos de expansão ainda maiores no futuro. Mas, no Brasil, onde o preço dos jogos ainda é um obstáculo para muitos, o lançamento de uma trilogia tão ambiciosa em um único ciclo pode parecer um luxo distante.
Final Fantasy 7 Remake não é só um jogo. É um marco da indústria — e talvez, o último de sua espécie.