É comum ouvir falar que um jogo foi 'fixo' após uma grande atualização, mas nem sempre isso significa que o que existia antes era ruim. No caso de títulos como Battlefield 2042 e No Man's Sky, o que muitos consideraram um fracasso inicial foi justamente o que alguns jogadores, como o editor Tyler Wilde, acharam único e memorável.
Em 2026, Wilde relembra ter dado uma avaliação positiva a Battlefield 2042, apesar das críticas negativas que o apontavam como o pior da série. Para ele, os mapas gigantescos com áreas desabitadas, a física instável dos veículos e os modos personalizados criados com o sistema de script do Portal traziam um clima de solidão e nostalgia, lembrando o clássico Battlefield 1942. A EA, então, refez os mapas e reduziu o número de jogadores para 64 — uma mudança que agradou a maioria, mas não o autor.
Um caso ainda mais emblemático é o de No Man's Sky. Lançado em 2016 com promessas de exploração infinita no espaço, o jogo foi alvo de críticas ferrenhas por não entregar o que prometia. Mas, para alguns, como o próprio desenvolvedor Sean Murray, a versão original tinha um charme esotérico. Ele ainda joga a versão original, que considera mais estranha, mas com uma identidade única.
Hoje, No Man's Sky é visto como um dos maiores exemplos de redenção na indústria. Atualizações constantes transformaram o jogo em um sucesso, com multiplayer, construção de bases e conteúdo extenso. A comunidade até pagou por um outdoor em homenagem à jornada da Hello Games.
Mas, como aponta Wilde, usar a palavra 'fixo' pode ser enganoso. Melhorar um jogo não é como resolver um bug de driver — é redefinir sua essência. E, em alguns casos, o que foi originalmente criticado pode ser exatamente o que torna um título inesquecível.