Em 2000, um jovem de 9 anos chamado Zack decidiu alugar o original Silent Hill em uma locadora local. A família estava em casa, o PS1 já mostrava sinais de cansaço, mas o entusiasmo era maior que qualquer preocupação. Sua mãe permitiu o aluguel, mesmo com o selo M de conteúdo violento, já que ele havia jogado outros títulos com classificação similar.
O que ele não sabia era que aquilo seria o momento mais assustador da sua vida. Antes de Silent Hill, Zack nunca havia experimentado um jogo de horror de verdade. Nada do que jogou até então — nem Crash Bandicoot nem Star Wars — preparou seu coração para o que estava por vir.
O jogo começou com um aviso claro: "Há imagens violentas e perturbadoras neste jogo". Ele não entendeu direito, mas continuou. As aberturas pré-renderizadas impressionaram, mas logo o clima mudou. A névoa densa, o som constante de fundo, os passos ecoando e a sensação de claustrofobia começaram a afetar o jogador.
Ao abrir uma porta e encontrar um corpo mutilado, o pânico começou. O corredor de alamedas, com câmeras fixas que tremiam e se agitavam, foi se tornando cada vez mais distorcido. A luz diminuiu. Harry Mason precisou acender uma pequena lanterna. O som da trilha aumentou, o ambiente ficou mais opressivo.
Quando chegou ao fim do corredor, encontrou mais corpos e um cadáver pendurado. Foi então que criaturas infantis, com facas, surgiram das sombras. Zack lembra de gritar, apertar todos os botões e tentar fugir. Não sabia que era um momento programado — precisava levar dano e desmaiar para continuar.
Quando o jogo finalmente mostrou a cena de Harry acordando no restaurante, ele já estava em estado de choque. Ao tentar sair, um monstro com asas de morcego atravessou o vidro. Foi o suficiente. Ele desligou o console, prometeu nunca mais jogar Silent Hill e manteve essa promessa até hoje.
Apesar de ter jogado outros títulos de terror e até os sucessores da série, ele não voltou ao original. Ainda acredita que nada, nem mesmo o remake anunciado, conseguirá repetir o impacto que aquele momento teve há mais de 25 anos.