Em recente comentário publicado no X (antigo Twitter), o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama reafirmou que a inteligência artificial não pode ser contida ou revertida, mas destacou que é possível influenciar seu desenvolvimento e uso por meio de decisões coletivas.
"Não dá para colocar a IA de volta na caixa", afirmou Obama, rejeitando tanto o otimismo tecnológico quanto o apocalipse digital. Ele se posicionou como um crítico equilibrado: não acredita que a IA leve a um futuro utópico, mas também não acredita que seja o fim da humanidade por si só.
Segundo ele, o impacto da tecnologia — seja em medicina, educação ou energia, ou em desemprego em massa e desigualdade — depende das escolhas que são feitas agora. "Esse caminho não pode ser deixado só nas mãos das empresas envolvidas", disse.
Obama destacou o acordo entre líderes de laboratórios de ponta em IA para reduzir a velocidade do desenvolvimento como um passo positivo, mas ressaltou que padrões voluntários não são suficientes. "O governo, especialmente em Washington, precisa agir proativamente com propostas concretas, leis e regulamentações", afirmou.
O ex-presidente citou o projeto Blueprint, que conecta políticos democratas com líderes da indústria para criar normas mais sólidas. No entanto, rejeitou a ideia de que os próprios gigantes da tecnologia devam definir suas próprias regras.
Seu discurso vem em meio a crescentes preocupações no Congresso norte-americano sobre o crescimento desenfreado de centros de dados de IA e o risco de falhas em sistemas autônomos. Em abril, o senador Bernie Sanders havia proposto o Artificial Superintelligence Ban Act, com penas de prisão para quem violasse o regulamento.
Embora Obama não tenha defendido medidas tão rígidas, seu tom mostra uma preocupação com o controle público sobre a tecnologia — algo cada vez mais relevante no Brasil, onde o uso de IA em serviços públicos e privados cresce sem uma base regulatória clara.