O retorno de The Legend of Zelda: Ocarina of Time ao topo do universo dos games não é apenas uma celebração do 40º aniversário da franquia — é uma reinvenção cuidadosa, feita com respeito ao que tornou o título um marco da história dos videogames. A versão para o Switch 2, ainda em prévia, já demonstra que a Nintendo não está apenas recriando o visual, mas reestruturando a experiência com propósito.
Arte que divide, mas encanta
O novo estilo artístico — descrito por alguns como "boneca assombrada" e por outros como "vale do uncanny" — gerou reações fortes logo no primeiro trailer. Apesar do choque inicial, o preview revela que a estética, embora distinta, está perfeitamente integrada ao mundo de Hyrule. As texturas, a iluminação e os contrastes entre ambientes naturais e urbanos ganharam profundidade, trazendo uma sensação de realidade que o original nunca teve. O sol se pondo sobre o castelo, a madeira áspera das árvores, os vitrais coloridos do Templo da Floresta — tudo contribui para uma atmosfera que é ao mesmo tempo familiar e nova.
Controles e mecânicas adaptadas
A ausência do pulo automático, uma mudança significativa em relação ao passado, pode incomodar jogadores acostumados com o estilo clássico. No entanto, o ajuste faz sentido: alinha o controle a Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, facilitando a transição para quem chegou ao universo de Zelda por esses títulos. A opção de mapear o pulo para o botão Y ajuda a suavizar a transição, mesmo que o jogador experiente ainda tropece — como o autor do preview, que caiu na água diante de Mido, como nos tempos antigos.
Dungeons com pequenas, mas importantes, melhorias
Os templos receberam ajustes sutis, mas bem pensados. No Templo da Floresta, por exemplo, um elevador substituiu parte do labirinto de blocos, e o mecanismo de flechas foi simplificado. No Grande Deque, o número de Skulltulas foi reduzido e as escadas de vinha foram eliminadas — algo que sempre pareceu desnecessário. Essas mudanças não tiram a identidade dos templos, mas os tornam mais acessíveis, sem perder o charme original.
Hyrule Field: um mundo que se transforma
O campo de Hyrule, um dos símbolos mais poderosos da franquia, foi redesenhado com novas plantações, estruturas esquecidas e até criaturas inesperadas como os Peahat Larva. A geografia entre Kakariko, Lon Lon e Lake Hylia foi reorganizada, criando novas rotas e surpresas. A ausência das seis árvores que marcavam a saída da Floresta de Kokiri foi sentida por muitos, mas a nova correnteza no lugar delas traz um toque poético.
Detalhes que contam histórias
Um acampamento abandonado, uma nota da fada Navi com dicas sobre rolar em árvores — pequenos elementos que sugerem um mundo vivo, cheio de segredos. Ainda que a voz inglesa dos personagens tenha sido criticada por soar como um dublagem de anime dos anos 2000, a opção de trocar para o áudio original ou legendas em outros idiomas resolve o problema. O destaque vai para a trilha sonora, que permanece fiel ao clássico, mas ganha novos tons de emoção com o novo visual.
Este remake não é apenas uma atualização técnica. É uma reencontro com um mundo que já conhecemos, mas que agora parece novo. Como diz o preview, é como voltar para a cidade natal depois de anos — tudo parece igual, mas o chão já não é o mesmo. E, no fim, o que importa é se você se sente em casa.