Os jogos da Trilogia Prévia de Star Wars, apesar de muitas vezes passarem despercebidos entre títulos como KOTOR e TIE Fighter, têm uma história rica e surpreendente. Muitos foram lançados junto aos filmes, outros surgiram anos depois, explorando o universo com abordagens inesperadas.
Adaptações cinematográficas
Star Wars: Episode I – The Phantom Menace (1999) foi um sucesso comercial, mas sua jogabilidade foi prejudicada por uma câmera fixa e distante, tornando os combates frustrantes. Controlar Obi-Wan, Qui-Gon, Padmé e Panaka em missões repetitivas não se mostrou divertido por muito tempo.
Jedi Power Battles, lançado no ano seguinte, é uma versão beat-’em-up do filme, com combinações, minigames e segredos. Embora não seja um clássico, é uma forma de experimentar a trama de forma mais dinâmica.
Para Attack of the Clones, o único jogo oficial foi um sidescroller para Game Boy Advance, que falhou em transmitir a intensidade do romance entre Anakin e Padmé.
Já Revenge of the Sith: The Movie Game foi um sucesso em seu gênero: um hack-and-slash com 17 fases, combates contra chefes e modo PvP. Mesmo com cortes de enredo que anteciparam o filme, o jogo conseguiu trazer um tom de grandeza e ação.
Os grandes da franquia
Lego Star Wars (2005) foi um fenômeno comercial, com mais de 6 milhões de cópias vendidas. Apesar de ser uma brincadeira, sua abordagem leve e divertida tornou a Trilogia Prévia acessível e amada por milhões, especialmente por quem não se conectava com os filmes.
Protagonistas secundários
Star Wars: Obi-Wan (Xbox) era um jogo original sobre o jovem Jedi, com controle inovador baseado em gestos do mouse — mas foi cancelado por George Lucas e refeito para o Xbox. A versão final, com o analógico do Duke, foi uma experiência mais direta.
Star Wars: Bounty Hunter (2002) conta a história de Jango Fett antes de ser decapitado. Com liberdade de ação, jetpack e combate intenso, o jogo explorou o lado sombrio do universo, com atuações fortes e um enredo que influenciou projetos como o “1313” e séries como Andor.
Guerra dos Clones
Em 2002, Star Wars: The Clone Wars chegou como um jogo de veículos para PS2 e GameCube, usando a tecnologia Zero da Pandemic. Um jogo para o GBA, New Droid Army, e um DLC de Age of Empires, Galactic Battlegrounds, também abordaram o conflito.
Apesar de pouco explorado nos jogos, a Guerra dos Clones ganhou vida com a série animada de Genndy Tartakovsky — mas sua única representação interativa foi um jogo web em Flash.
Em 2008, Dave Filoni criou sua própria versão da série, que inspirou jogos como Republic Heroes e Jedi Alliance, com mecânicas de DS e stylus.
The Clone Wars: Lightsaber Duels foi o destaque: focado em combate com controle de movimento, o jogo transformou o duelo de sabres em uma experiência imersiva e divertida, deixando o enredo de lado em favor do poder.
Vertical Slice
Jogos como Rogue Squadron e Battle for Naboo mostraram que o universo de Star Wars era perfeito para simulações de combate aéreo. O N64 recebeu um avião secreto, o Naboo Starfighter, escondido no código — um tributo ao passado que antecipou o futuro.
Battle for Naboo foi uma versão prévia do Rogue Squadron, com missões baseadas em combate, voos e diálogos. O jogo incluía arte conceitual e comentários dos desenvolvedores — um detalhe raro para a época.
Factor 5 voltou com novos títulos para o GameCube, mas LucasArts continuou a explorar o universo prévio, mostrando que a Trilogia Prévia, mesmo criticada, ainda tem espaço para jogos memoráveis.
Foto: miguel.discart / Openverse