Over the Hill promete uma experiência de condução no meio da natureza, com paisagens deslumbrantes e uma trilha sonora acústica. Na prática, é o oposto: um jogo que se torna a experiência mais estressante dos últimos anos, como se o ambiente estivesse contra o jogador.

Em vez de aproveitar o mundo aberto, o jogador passa a maior parte do tempo tentando subir colinas íngremes, escorregando, bater em árvores e ficar preso em lama. Mesmo com atualizações de pneus, o controle é precário e o progresso parece sempre incerto. O jogo foca nos piores aspectos dos jogos de condução abertos — como Forza Horizon ou GTA — e os amplifica.

Ainda assim, há momentos de beleza. As rotas chamadas "Trails" são bem projetadas e trazem desafios criativos, como a icônica Bridal Veil, no Canadá, que passa por uma cachoeira sob sol raro. A arte visual lembra o excelente Art of Rally, com iluminação, névoa e efeitos climáticos que criam um clima imersivo. Mas esse charme se esvai rápido.

As áreas são vastas, mas vazias. Pouca coisa para descobrir, pouca recompensa. O ritmo é tão lento que até correr seria mais rápido que dirigir. O uso do guincho é essencial para sair de buracos, mas outras ferramentas — como tábuas para passar pequenos vales ou um macaco para reverter tombos — parecem mais como truques do que soluções naturais.

O jogo não força o jogador a nada, mas o resultado é um sentimento de futilidade. A maior parte do mapa é inacessível, forçando rotas lineares e repetitivas. A sensação de liberdade é ilusória. O que sobra é uma experiência que, apesar de bem pensada em alguns aspectos, acaba sendo mais cansativa do que divertida.

Disponível em PC, PS5, Xbox Series X e Nintendo Switch 2, Over the Hill chega ao mercado brasileiro com preço ainda não divulgado. Para quem curte jogos de condução com um toque de desafio extremo, pode valer a pena. Mas para quem busca relaxamento ou imersão, o jogo pode ser uma frustração.