Em entrevista recente, Peter Molyneux, pai do gênero god game, falou sobre a ausência de Black & White 3, 27 anos após o lançamento do primeiro título. Segundo ele, o jogo é "um desafio difícil, difícil, desafiador" para desenvolver, por conta de sistemas inovadores que não tinham precedentes na época.

"Não havia middleware naquele tempo", lembra Molyneux. "E o que torna o Black & White especial é justamente a liberdade de zoom in e zoom out em qualquer parte do mundo, o que complexifica muito a otimização. O tradicional é manter o jogador em uma área específica, mas aqui, o mundo inteiro precisa estar ativo e responsivo."

Além disso, o gênero de jogos de deuses está cada vez mais marginalizado pelas grandes editoras, que apostam em modelos como jogos live-service. Molyneux destaca que é difícil convencer empresas como EA ou Microsoft a investir em um jogo com esse perfil, especialmente quando há tantos outros títulos com potencial de retorno mais imediato.

Apesar do cenário desanimador, o criador deu um pequeno presente aos fãs: "Acho que há pessoas trabalhando em um remaster do Black & White. Mas seria inadequado falar sobre isso."

Embora Molyneux não esteja envolvido no projeto — nem a Lionhead Studios, nem as empresas que detêm os direitos (EA e Microsoft) — o comentário gerou esperança. O jogo está em primeiro lugar na lista de desejos da GOG, e um remaster bem-feito poderia reacender o interesse pelo universo de Black & White.

Se o remaster se destacar no mercado brasileiro e internacional, talvez abra espaço para um novo título, ainda que distante. Por enquanto, o foco está em manter viva a memória do jogo que revolucionou um gênero.

Foto: Cayusa / Openverse