A polícia sul-coreana prendeu uma gangue de ciberataque acusada de usar ferramentas de inteligência artificial para invadir mais de 60 empresas. O grupo, segundo relatos, foi liderado por um hacker autodidata que não tinha formação em tecnologia, mas aprendeu sobre segurança digital por meio de vídeos no YouTube e outras fontes online.

Apesar de ter obtido cerca de 8,2 milhões de registros de dados sensíveis — incluindo nomes, números de identificação, telefones e endereços — o grupo só recebeu 300 mil won sul-coreanos (cerca de 210 dólares) em resgate, embora tivesse exigido 360 milhões de won (aproximadamente 272 mil dólares).

As investigações começaram em agosto, após uma empresa afetada registrar um boletim de ocorrência em junho. A operação resultou na prisão de sete pessoas, entre elas o suposto líder, um homem de 32 anos que cursou artes e educação física, sem nenhuma formação em informática.

Segundo a polícia, os criminosos utilizaram uma combinação de ferramentas de codificação com IA e um sistema autônomo de teste de penetração para acessar os sistemas. O grupo também enviou e-mails ameaçando divulgar os dados, dizendo que a exposição poderia prejudicar a reputação das empresas e gerar multas governamentais.

Apesar do grande volume de dados roubados, nenhuma informação financeira foi comprometida, e a polícia afirma que os dados ainda não apareceram no mercado negro. Ainda assim, 38 das empresas afetadas sofreram prejuízos, embora o valor total não tenha sido divulgado.

O caso reforça preocupações sobre o uso crescente de IA em ataques cibernéticos. A Google já havia alertado no início do ano sobre como ameaças estão se tornando mais eficientes com o uso da tecnologia. No entanto, o baixo retorno financeiro do grupo mostra que, mesmo com ferramentas avançadas, o crime cibernético nem sempre é tão lucrativo quanto se imagina.