Na última década, o Steam tem se tornado um campo de batalha de nomes de jogos cada vez mais parecidos. Títulos como Dust: Origins, Duskfade, Duskbloods e Dungeons of Dusk se sucedem com uma frequência quase alarmante — e, para o jogador comum, é quase impossível diferenciá-los.

Apesar de alguns, como Dungeons of Dusk (spin-off de um clássico da revolução dos boomer shooters) ou Duskbloods (o novo jogo da FromSoftware), terem algum destaque, a maioria dos títulos parece surgir de um mesmo molde: palavras-chave genéricas, repetitivas e sem alma.

Samuel Roberts, da PC Gamer, destaca que o problema vai além do acaso. A comunicação de jogos indie, segundo Hannah Flynn, diretora de comunicação da Failbetter Games, está cheia de padrões que comprometem a memorabilidade. Palavras como "fall of", "echoes of" e "shadow of" aparecem com frequência absurda no Steam — milhares de vezes.

"Origins" é um exemplo perfeito disso. Um termo que, embora pareça carregar significado, acaba se tornando um filler sem sentido, usado apenas para encher o nome e parecer relevante. É o que acontece com Dust: Origins, um jogo com boa base técnica, mas cujo título não evoca nada além de uma sensação de vazio.

Flynn ressalta que um bom nome deve refletir a essência do jogo, não tentar imitar outros títulos ou seguir fórmulas prontas. Exemplos como Hades, Dave the Diver e Sunless Skies mostram como um nome criativo e autêntico pode marcar profundamente.

Para o mercado brasileiro, isso é ainda mais relevante. Com a crescente popularidade do PC gamer e o aumento de jogos indie no país, nomes confusos ou genéricos tornam-se uma barreira para o descobrimento de títulos de qualidade — especialmente quando o jogador já está sobrecarregado com milhares de lançamentos.

Em vez de buscar inspiração em outros jogos, a recomendação é começar pelo próprio jogo: o que ele quer ser? Qual emoção ele quer provocar? A resposta, muitas vezes, já está no nome certo.