Em 2026, comemorando 40 anos de existência, o Bethesda Game Studios relembrou histórias marcantes do seu passado — entre elas, a origem de seu primeiro tester full-time: Alan Nanes.

Nanes, atualmente diretor de design, começou sua jornada na empresa como um amigo dos desenvolvedores, frequentando o estúdio durante o desenvolvimento de Morrowind. Naquela época, o ambiente era mais solto, e estar por perto era quase um convite a entrar no mundo do jogo.

Segundo ele, foi o próprio Todd Howard quem percebeu sua presença constante e o convidou para testar o novo título. Com o tempo, suas sessões de testes viraram um evento: equipes inteiras se reuniam ao redor dele, discutindo mecânicas, sugerindo mudanças e anotando feedbacks enquanto ele jogava.

“Foi uma sensação incrível ser parte da criação de um jogo real”, disse Nanes, que teve seu nome incluído no manual do Morrowind na seção de “Agradecimentos Especiais”.

Com o tempo, a empresa decidiu que ter um tester full-time no estúdio era valioso. Nanes assumiu o cargo — e, anos depois, evoluiu para designer de missões em Oblivion e, mais recentemente, para o cargo de líder de design de companheiros em Starfield.

Apesar da trajetória quase contada em conto de fadas, o caminho dos testadores na Bethesda nos últimos anos foi bem diferente. Em 2022, trabalhadores da ZeniMax (empresa-mãe da Bethesda) iniciaram uma campanha de sindicalização, culminando na formação do ZeniMax Workers United - CWA, o maior sindicato do setor de games nos EUA.

As frustrações com salários, oportunidades de crescimento e carga de trabalho levaram à greve autorizada em 2025. Após dois anos de negociações travadas com a Microsoft, o contrato foi aprovado em junho de 2025.

Em julho de 2026, mesmo com o acordo em vigor, centenas de testadores foram demitidos pela Xbox. O contrato permitiu a negociação de “acordo por efeitos”, que resultou em um pacote de compensação significativo em setembro do mesmo ano.

Enquanto Nanes representa um passado de proximidade e confiança, a realidade atual dos QA na indústria reflete um cenário mais complexo — onde o valor do trabalho é definido não apenas pela amizade, mas por negociações coletivas e luta por direitos.