Uma organização de defesa do consumidor holandesa, a Stichting Massaschade & Consument (SMC), ajuizou uma ação contra a Epic Games por €100 milhões, acusando a empresa de projetar o sistema de compras do Fortnite de forma a pressionar jovens jogadores a gastar dinheiro real. A ação alega que o jogo foi intencionalmente configurado para atrair compras por parte de menores, além de coletar dados pessoais de crianças sem autorização dos responsáveis.
A SMC afirma que, com base em uma pesquisa com 1.000 adolescentes holandeses entre 16 e 19 anos, cerca de 60% dos compradores de V-Bucks disseram que não sentiram que estavam gastando dinheiro real, e metade relatou arrependimento por compras feitas sob pressão de tempo.
Este não é o primeiro caso envolvendo a Epic Games sobre práticas comerciais questionáveis com jovens. Em 2022, a empresa pagou US$ 520 milhões para resolver investigações do FTC nos EUA sobre violações de privacidade infantil e uso de “padrões escuros” que enganavam jogadores a fazer compras acidentais. Em 2024, a autoridade holandesa ACM multou a Epic em US$ 1,2 milhão por práticas comerciais desleais com crianças, decisão confirmada por um tribunal de Roterdã em janeiro de 2026.
Segundo Lucia Melcherts, presidente da SMC, o objetivo não é proibir o Fortnite, mas sim exigir que a empresa responda pelos danos causados: “A Epic criou o jogo com intuito de pressionar os jogadores a comprar. Jovens consumidores deveriam ser protegidos justamente contra isso. A conta deve ser cobrada da empresa que criou o jogo, não dos jogadores ou de seus pais.”
A Epic respondeu afirmando que o Fortnite possui ferramentas de controle parental, como bloqueio de compras para menores, confirmação em duas etapas, cancelamento instantâneo de compras e opção para não salvar dados de pagamento. A empresa também destacou que contas de jogadores com menos de 16 anos no país são “contas restritas”, exigindo autorização de um responsável para realizar compras.