O governo do Reino Unido lançou um guia de uso ético e sustentável de inteligência artificial, com uma recomendação curiosa: funcionários não precisam dizer "obrigado" quando a IA produz um resultado correto.
A orientação está incluída como parte de um documento de diretrizes ainda em fase de revisão, que serve como ponto de partida para o uso responsável de ferramentas de IA. A ideia não é lembrar que os sistemas não são conscientes — mas sim conscientizar sobre os altos custos operacionais e o impacto ambiental desses modelos.
Entre os conselhos, estão: manter prompts curtos e diretos, usar a IA apenas quando necessário e verificar cuidadosamente as saídas para evitar erros ou viés. Também se destaca que os funcionários são responsáveis pelo trabalho gerado, mesmo que a IA tenha sido usada — algo que diferencia o setor público de grandes empresas de tecnologia.
O ponto sobre não agradecer à IA chama atenção. A frase "você não precisa dizer obrigado" está no mesmo tópico que outras práticas de eficiência, como reduzir o número de interações com o sistema. O objetivo é diminuir o consumo de tokens, especialmente em modelos que passaram a cobrar por uso por prompt.
Na prática, o alerta reflete um novo momento no uso de IA: a euforia inicial de 2023 e 2024, quando empresas incentivavam o uso intensivo, está dando lugar a uma realidade mais realista. Com custos crescentes e poucas melhorias reais em produtividade, muitas organizações estão reavaliando sua dependência.
Para o jornalista Andy Chalk, da PC Gamer, a medida é mais do que uma dica de economia: é um alerta contra a antropomorfização de sistemas que não têm consciência. "Reconhecer os riscos psicológicos de tratar a IA como um ser humano" é, na verdade, o melhor motivo para ser rude com ela.