O novo filme Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, está se destacando não apenas pelo seu sucesso nas bilheterias, mas também pela forma como redefiniu o que se espera de uma adaptação de videogame. Em vez de seguir a tradição de heróis superdotados, o longa escolheu um protagonista improvável: Bryan, um entregador de medicamentos sem treinamento, mal condicionado e com atitudes típicas de quem está perdido em meio ao caos.
Um dos momentos mais marcantes do filme ocorre quando Bryan, frustrado por um elevador quebrado em um laboratório secreto, desiste, tira a camisa, senta no chão e chora. A cena, que mistura humor e vulnerabilidade, mostra exatamente o que Cregger queria: um personagem que representa o espectador comum, sem habilidades, tentando sobreviver em um mundo de zumbis e conspirações.
Segundo o diretor, em entrevista ao Polygon, ele preferia ver um filme com um "schlub" — um cara comum — sendo perseguido por monstros, do que um agente especial como Leon Kennedy, que é o herói clássico da franquia. A escolha se mostrou acertada: o filme tem 95% de aprovação entre críticos no Rotten Tomatoes e 91% entre os espectadores, além de arrecadar 60 milhões de dólares.
Com isso, o filme não apenas justifica a existência de um novo capítulo da série, como aponta uma nova direção para adaptações de jogos: contar histórias com personagens que não precisam ser perfeitos, mas sim humanos. E, no mundo dos games, onde o jogador vive o personagem, o "homem bobo" pode ser o maior herói de todas as adaptações.
Marca: www.polygon.com