O novo filme de Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, está redefinindo o que se espera de uma adaptação de jogo para o cinema. Com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa se tornou a adaptação live-action de videogame mais bem avaliada da história — e, segundo muitos críticos, o melhor filme da franquia até agora.

Em vez de seguir os caminhos dos anteriores filmes da série, que se baseavam em personagens como Leon S. Kennedy, Claire Redfield e Jill Valentine, Cregger escolheu uma abordagem ousada: criar uma história original, ambientada no mesmo dia do desastre do t-Vírus em Raccoon City, mas com um protagonista totalmente novo — Bryan, um entregador de medicamentos comum, que se vê envolvido em uma corrida contra o tempo para salvar vidas.

Apesar de não incluir nenhum personagem ou monstro famoso dos jogos, o filme captura com precisão o clima de terror, a tensão constante e a estrutura de sobrevivência que marcam a série. A direção foca no que realmente importa: a atmosfera opressiva, o ritmo acelerado e a sensação de isolamento, elementos que são centrais nos jogos originais.

Segundo a análise do GamesRadar+, a decisão de não se prender a personagens e enredos clássicos foi acertada. Muitos jogos da franquia, como Resident Evil 2 ou Resident Evil 4, são estruturados em torno de mecânicas de jogo que não se traduzem bem para o cinema. Correr, esconder-se, resolver quebra-cabeças e enfrentar inimigos em locais fechados funcionam no jogo, mas seriam difíceis de tornar envolventes em um longa-metragem tradicional.

Além disso, os filmes anteriores da franquia — especialmente o fracassado Welcome to Raccoon City (2021) — tentaram agradar fãs com referências exageradas, mas acabaram criando uma experiência confusa e pouco convincente. O novo Resident Evil mostra que o caminho para uma boa adaptação não é copiar o jogo, mas sim traduzir sua essência.

Com um roteiro ágil, direção cinematográfica ousada e um tom que mistura terror, humor e ação, o filme não só se destaca entre outras adaptações, mas também serve como um modelo para futuras produções baseadas em jogos — especialmente no mercado brasileiro, onde o público tem crescido em interesse por filmes e séries de games.