Apesar de parecer contraditório, jogos de horror como Resident Evil e Silent Hill podem ser tão acolhedores quanto títulos como Animal Crossing. Segundo o neurocientista afetivo Dr. Eric Leonardis, o que move esse fenômeno é a sensação de controle que esses jogos proporcionam.
Para ele, o chamado “jogo sombrio” — ou *dark play*, no termo da ciência — permite que o jogador simule situações de medo em um ambiente seguro. Isso gera uma sensação de preparo: ao enfrentar monstros, fugir de zumbis ou decidir o caminho certo em um corredor escuro, o jogador se sente mais apto a lidar com riscos reais no futuro.
"Quando Michael Myers sobe a escada, você pensa: 'Não entre no porão, vá pela porta da frente'. É como se você estivesse treinando para o pior cenário possível, mas de forma controlada", explica Leonardis. "Isso é reconfortante."
Esse conceito tem ganhado espaço no mercado de jogos, com títulos como Grave Seasons e Cult of the Lamb misturando elementos de simulação de vida com atmosferas de terror. Até mesmo o novo Resident Evil Requiem, anunciado para o Nintendo Switch 2, traz uma estética que combina nostalgia, tensão e um toque de ternura.
No Brasil, onde o mercado de games cresce com títulos de nicho, esse movimento mostra que o público está cada vez mais aberto a experiências que misturam emoções opostas — medo e conforto, tensão e acolhimento — em um único jogo.
Marca: www.polygon.com