A Nvidia GeForce RTX 5090, anunciada como o topo da geração de GPUs para jogos, está cada vez mais longe do seu público-alvo. Segundo relatos, empresas de inteligência artificial estão comprando os cartões por pallets, especialmente em mercados como a China, onde são montados em servidores para processamento de IA.
Apesar de o preço no Brasil ultrapassar R$ 30 mil — mais do que o valor de muitos PCs completos —, o RTX 5090 está sendo considerado uma opção econômica em comparação com GPUs de trabalho como a RTX 6000 Pro, que custa cerca de R$ 80 mil e tem 96GB de VRAM. Muitas empresas, no entanto, conseguem operar com apenas 32GB, tornando o RTX 5090 uma alternativa viável.
Isso levanta uma questão: se o cartão mais poderoso do mundo está sendo alocado para servidores de IA e não para jogos, ele ainda pode ser chamado de GPU de jogos? O autor do artigo, Phil Hayton, afirma que não. O foco da Nvidia já não é mais o consumidor, mas sim o mercado de computação de alto desempenho e inteligência artificial.
Além disso, não há mecanismos para limitar o uso desses cartões fora do mercado de jogos — diferente do que aconteceu com as RTX 3000 durante a burrada das criptomoedas, quando a Nvidia criou versões com hash rate reduzido. Agora, não há nenhum sinal de que a empresa vá bloquear ou limitar o uso do RTX 5090 para fins não recreativos.
Com isso, o mercado de jogos de alto nível está sendo deslocado. O RTX 5080 também está sendo alvo de empresas de IA, o que deixa apenas o RTX 5070 Ti e modelos mais baixos como opções viáveis para jogadores — ainda assim, com preços acima de R$ 1 mil na Newegg Brasil.
Diante disso, o futuro do gaming de ponta parece estar cada vez mais ligado à nuvem, com serviços como GeForce Now e Xbox Game Pass se tornando as únicas formas reais de acessar títulos em 4K. Enquanto isso, o autor prefere se concentrar em jogos retro, como os do PS2, como forma de protesto contra a perda de controle sobre o hardware.