RuneScape: Dragonwilds chegou com a promessa de ser uma nova aventura no universo de RuneScape, mas, apesar de reunir elementos conhecidos — habilidades, biomas, sobrevivência —, o jogo ainda parece incompleto ao chegar à versão 1.0.
Com influência clara de títulos como Valheim, o jogo segue uma estrutura tradicional de sobrevivência: coletar recursos, construir ferramentas, explorar e enfrentar inimigos. No entanto, a experiência acaba sendo cansativa, marcada por uma rigidez excessiva. A mecânica de cortar árvores, por exemplo, exige que o jogador esteja quase perfeitamente alinhado — uma frustração que se repete em outras ações.
O jogo também exige que o jogador siga passos pré-definidos desde o início, o que limita a liberdade de exploração. Para avançar, é preciso descobrir, por meio de tentativa e erro ou da ajuda de guias online, como obter certos itens — como o fio grosso necessário para fazer um arco, que só aparece depois de coletar linho. O jogo não explica isso de forma clara, obrigando o jogador a consultar wikis constantemente.
Outro ponto que pesa é o sistema de cozimento. A baixa habilidade do personagem pode fazer a comida queimar, reduzindo seu valor nutricional e tornando combates iniciais contra goblins muito mais difíceis. Em contraste, o sistema de água é mais intuitivo: basta coletar e ferver para torná-la potável.
As habilidades se desenvolvem com incrementos mínimos, sem aquela sensação de conquista que marcou títulos como Melvor Idle. A progressão parece mecânica, sem conexão emocional. O jogo ainda não consegue definir bem seu propósito — é um survival com toque de RuneScape, mas não entrega a essência da franquia.
Apesar da beleza visual e do cuidado na construção dos ambientes, Dragonwilds ainda carece de personalidade. O mundo é bem feito, mas parece vazio, sem um senso de lugar que o torne memorável. A versão 1.0 chega com promessas, mas ainda está longe de cumprir o potencial anunciado.