Shigeru Miyamoto, o ícone da Nintendo e criador de franquias como Mario e The Legend of Zelda, compartilhou suas reflexões sobre a inteligência artificial durante uma cerimônia em que recebeu o Prêmio Nacional da Cultura do Japão, em reconhecimento a sua influência na evolução dos videogames.
Em entrevista coletiva, Miyamoto destacou que o desenvolvimento de jogos sempre foi um esforço coletivo. Ele se considera um representante de todos os profissionais com quem trabalhou ao longo de cinco décadas, especialmente em projetos como o Super Nintendo World, em Universal Studios Japan.
Relembrando sua trajetória desde 1977, quando a Nintendo era conhecida por jogos de tabuleiro e cartas, ele falou sobre a evolução do entretenimento digital. Para ele, o videogame sempre teve como propósito estar no centro da vida familiar, integrando-se ao ambiente doméstico — uma ideia que moldou o sucesso do Wii.
Com o tempo, o acesso aos jogos se tornou mais amplo, impulsionado por consoles como DS, o crescimento do mercado mobile e a geração de jogadores que agora criam novos hábitos com seus filhos. Essa expansão cultural fez com que Miyamoto mudasse de ideia sobre adaptações de jogos para o cinema. Antes cético, ele agora vê que personagens como Mario e Link podem existir além da tela, especialmente em parques temáticos.
Diante das perguntas sobre IA, Miyamoto fez uma analogia com a evolução dos computadores. Ele lembrou que, com o surgimento de editores de texto e ferramentas digitais, habilidades técnicas como digitação manual foram substituídas, permitindo que o foco se deslocasse para o design e a criatividade autêntica.
“A IA está fazendo o mesmo: ela cuida dos aspectos técnicos, e isso nos obriga a pensar mais profundamente sobre o que é criar”, disse. Segundo ele, o perigo não está na tecnologia em si, mas em confundir o trabalho automatizado com a criação verdadeira. “O que importa é a intenção por trás do que se faz. Um design é uma escolha humana, não apenas uma cópia.”
Miyamoto concluiu que, por enquanto, ainda há muito espaço para o ser humano criar. Ele não sabe se a IA um dia será capaz de substituir a criatividade, mas acredita que o momento atual é uma oportunidade para redescobrir o valor da intenção, do processo e do envolvimento emocional na criação.