Se você já se perguntou como seria criar um jogo do zero, com todos os imprevistos da produção, o novo título da Springloaded, Let's Build a Dungeon, promete levar essa experiência ao extremo — e com um toque de paranoia digital.

O jogo é uma simulação detalhada de como funciona o desenvolvimento de videogames. Você funda uma estúdio, contrata equipes, planeja lançamentos, participa de feiras, lida com investidores e até enfrenta o estresse do crunch. Mas o que torna o título diferente é o nível de profundidade: o jogo que você cria dentro do jogo pode ser hackeado por um cibercriminoso fictício.

Segundo James Barnard, fundador da Springloaded e diretor criativo do jogo, há um personagem específico que se torna uma ameaça: um nerd que rastreia voos de investidores, analisa finanças e descobre que você está desenvolvendo um MMO. Ele então entra em contato com você, exigindo que o coloque no jogo — ou ameaça vazá-lo para a internet.

Esse tipo de evento não é apenas um enredo aleatório. Ele está integrado ao sistema de simulação. O jogo acompanha métricas como wishlists, taxa de cliques e conversões, como no Steam. Tudo isso influencia o desempenho do seu título e, consequentemente, o interesse de hackers e concorrentes.

Além disso, o mundo do jogo é rico em detalhes técnicos. O seu desenvolvimento exige atualizações de hardware: ao passar de CGA para VGA, você precisa de mais espaço em disco porque os arquivos ficam maiores. Cada componente de computador foi desenhado à mão — cerca de 150 peças — e o som muda conforme o cartão de áudio simulado.

O jogo também simula logística realista: enviar desenvolvedores para feiras exige reservar passagens e hotéis. Preços flutuam conforme a proximidade da data, e há paradas em cidades reais, dependendo da localização da sua estúdio. Se você está em Londres, EGX Rezzed fica bem perto. Se está no Canadá, o trajeto é longo.

Até a relação com a família é simulada. Sua mãe manda vídeos de gatos, receitas de torta e liga para perguntar se você comeu. Ela até dá recompensas — como músicas ou imagens de fundo — para animar o dia. E, surpresa: ao receber uma receita de torta, você pode adicioná-la ao jogo. Os jogadores podem comer a torta, e você pode ajustar seus atributos.

Apesar do foco em simulações complexas, o jogo também oferece modos para quem quer apenas criar jogos: campanha, modo criativo e acesso a títulos feitos por outros jogadores. Um demo já está disponível, e o jogo chega à early access em 11 de fevereiro.

Em um mercado onde simulações de desenvolvimento de jogos estão em alta — de RollerCoaster Tycoon Wonderworks a Dressmaker — Let's Build a Dungeon se destaca por levar a ficção até o limite do possível: o mundo dentro do jogo pode ser invadido, e o jogador precisa se preparar para tudo.