Star Wars: Galactic Racer chega com tudo, trazendo de volta o espírito dos grandes jogos de corrida arcade dos anos 2000, como Burnout 3: Takedown. Desenvolvido pela Fuse Games — formada por ex-criadores da Criterion —, o título mistura velocidade louca, risco e recompensa de forma quase perfeita, especialmente no formato de corridas em série com elementos roguelike.

Na trama, você assume o papel de Shade, um piloto sem nome que quer desafiar Kestar Bool, o arrogante campeão da Galactic League. A rivalidade com esse vilão caricatural é o combustível emocional que mantém o jogador engajado, mesmo quando o jogo exige um alto nível de concentração e precisão.

Os três tipos de veículos — landspeeders, speeder bikes e skim speeders — se movem com uma fluidez impressionante. Sem limitações de pneus ou motor a combustão, o controle é suave e reativo, com manobras de derrapagem avançadas que tornam o uso dos freios quase opcional. A sensação de velocidade é intensa, mas não descontrolada — o jogo consegue equilibrar o caos com um senso de controle que só quem já jogou títulos como Mario Kart ou Burnout entende.

O pré-race é uma das partes mais bem-feitas do jogo. Um ritual de ativação com sequências de botões rápidas — inclusive o código Konami como entrada para o modo Auto-Pilot — é acompanhado por sons digitais e, no PS5, resistência adaptativa no controle DualSense que simula a chave do motor. É um detalhe que, mesmo para quem costuma desativar essas funcionalidades, acaba sendo cativante.

As quedas são frequentes no início, mas o jogo as transforma em momentos cinematográficos, com explosões em câmera lenta e destroços voando por todos os lados. À medida que você domina as pistas e aprende os padrões, entra em um estado de fluxo — o clássico “racing flow” — onde cada decisão conta e o resultado é sempre emocionante.

Apesar do brilho geral, o jogo tem alguns pontos fracos. A campanha acaba de forma abrupta, sem uma conclusão satisfatória. Além disso, o terceiro ato apresenta um aumento de dificuldade que pode parecer injusto. O número de planetas e pistas também é limitado, o que reduz o senso de vastidão galáctica que o tema promete.

Na versão brasileira, o jogo está disponível por R$ 239,90 na Amazon e Very, com preços semelhantes em outras lojas. A experiência multiplayer caótica e os modos Arcade e Scenarios ajudam a prolongar o tempo de jogo, mas o potencial do título ainda não foi explorado ao máximo.

Com um universo rico, personagens memoráveis e um sistema de corrida que se destaca no cenário atual, Star Wars: Galactic Racer pode ser um modelo para outros jogos de corrida no futuro — especialmente aqueles que querem misturar diversão pura com desafios reais.