Estava em Edimburgo, longe de casa, sem acesso a meu PC gamer. Minha mãe tem apenas uma TV antiga e um sombar que não serve para jogos. Mas precisava jogar Big Walk com dois amigos — algo raro de acontecer por causa das agendas corridas.

Foi aí que o Steam Frame entrou em ação. O headset da Valve, que antes era conhecido como "Valve Deckard", prometia ser um Steam Deck que você veste no rosto. E, na prática, parece exatamente isso.

Ao colocar o dispositivo, conectei à Wi-Fi — um processo que ainda é um pouco trabalhoso — e emparelhei um controle via Bluetooth. Em menos de dez minutos, estávamos jogando. Big Walk rodou sem travar, mesmo em configurações baixas, e o tempo passou rápido. Só precisei ligar no meio da sessão por causa da bateria, mas o desempenho foi sólido.

O controle funcionou perfeito, sem atraso. A única ajuste foi na tensão do headset, que ficou um pouco apertado. A experiência foi tão natural que, antes de perceber, já era meia-noite e meia.

Apesar de amar jogos em VR, o que mais me impressionou foi o potencial do Steam Frame como um dispositivo para jogar títulos não-VR. Ele tem a mesma vibe do Steam Deck: portabilidade, biblioteca de jogos acessível e jogabilidade confortável. E, como no PSVR 2, o modo Cinematic permite ver jogos em tela grande, como se fosse um cinema em casa.

Testei outros jogos, como Towerfall Ascension e Hades, e rodaram com tranquilidade. O controle tem modo gamepad, então não preciso carregar outro periférico. Isso muda tudo para quem quer jogar em qualquer lugar.

O preço de US$ 1.059 (cerca de R$ 6.200) pode parecer alto, mas faz sentido quando você entende que ele não é só um headset VR. É um dispositivo de jogos portátil, com acesso a toda a biblioteca da Steam. E, no mercado brasileiro, isso pode ser uma vantagem real para quem quer jogar jogos de PC longe da mesa.