O novo filme de Street Fighter chega às salas de cinema em 2026, logo após Mortal Kombat 2, com expectativas altas para superar o legado da adaptação de 1994 e a concorrência do universo de luta. Apesar de não entregar uma história profunda, o longa se destaca como um espetáculo visual e de ação, com uma estética exagerada e vibrante dos anos 90 — o que o torna um verdadeiro tributo ao estilo Camp.

Os figurinos, cuidadosamente adaptados pela figurinista Kym Barrett, conseguem manter a essência dos personagens icônicos da franquia sem cair no caricato. O topete de Guile, por exemplo, permanece absurdo — mas com um toque de elegância que combina com o tom do filme. A direção de Kitao Sakurai explora com maestria a atmosfera das lutas, usando névoa, luzes neon e ritmo frenético, lembrando o estilo de John Wick.

As combates são bem coreografados, com destaque para a equipe de dublês e ações de Anthony Rinna, Brayden Rodrigues e Jon Valera. Há ainda uma surpresa no início do filme — que não envolve easter eggs ou participações especiais — e que conquistou o crítico desde o primeiro momento.

Apesar disso, o roteiro se mostra superficial, com foco excessivo em Ryu e Ken. Os demais personagens, como Chun-Li, M. Bison, Guile e Balrog, aparecem mais como peças de uma trama que não os desenvolve. O elenco, incluindo Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang, David Dastmalchian e até 50 Cent, se entrega com energia, mas não ganha espaço para se expandir.

É uma pena, já que o filme demonstra claramente ter sido feito com carinho por fãs da franquia. Ainda que Mortal Kombat 2 tenha uma narrativa mais equilibrada, Street Fighter se destaca na ação. O final sugere um universo aberto para mais filmes — mas o que se espera é que, na próxima vez, o roteiro vá além da dupla principal.