Ocarina of Time, lançado originalmente em 1998, é frequentemente lembrado como um dos maiores jogos de todos os tempos — um ícone da franquia Zelda e da história dos videogames. Mas, segundo análise do Polygon, o título vai muito além de uma simples aventura de fantasia. Ele é, na verdade, um jogo de horror disfarçado de conto de fadas.
Embora o visual do remake para o Switch 2 seja mais romântico e pintado como uma história de livro antigo, o jogo original carrega uma atmosfera densa e inquietante. Muitos dos elementos que parecem lúdicos ou exagerados são, na verdade, profundamente perturbadores. Aos poucos, o jogo revela um universo onde o encantamento se mistura com o terror.
Monstros como os Skulltulas — aranhas gigantes com máscaras de crânios e sons de arranhão que surgem do nada — são apenas o começo. Em Kakariko Village, o jogador pode entrar em uma mansão abandonada onde uma família rica foi transformada em aranhas por sua ganância. Os personagens, agora em forma de aranhas, falam por dentro de suas máscaras deformadas, pedindo ajuda para quebrar o feitiço. É um momento que mistura drama, horror e um toque de tristeza trágica.
O cemitério da vila também é um local carregado de tensão. Lá, o zumbido dos Poes — fantasmas flutuantes — e o misterioso Dampé, o zelador encurvado, criam uma sensação de inquietação constante. Abaixo do solo, o túmulo da família real abriga os ReDeads: zumbis desidratados que podem paralisar Link com gritos sobrenaturais. Sua presença, som, mecânica e design são considerados os mais assustadores já criados pela Nintendo.
Outros momentos são ainda mais perturbadores. O poço do cemitério, quando esvaziado, leva a um mini-dungeon chamado The Bottom of the Well. Lá, os corpos de esqueletos estão presos nas paredes, em posições angustiantes, em um ambiente úmido e claustrofóbico que lembra mais um cenário de Diablo do que uma caverna natural. Já o Dead Hand, uma criatura em decomposição com membros brancos e finos, surpreende o jogador com um ataque repentino e brutal.
Até mesmo o Wallmaster, um braço demoníaco que aparece como uma sombra e um uivo distante antes de puxar o jogador do chão, traz um nível de tensão psicológica que poucos inimigos conseguem igualar.
Essa mistura de fantasia e horror é o que torna Ocarina of Time tão memorável. Ele não se limita a ser um jogo de aventura: é um conto de fadas sombrio, onde a beleza esconde o medo, e o encantamento caminha lado a lado com o terror. O remake do Switch 2, com seu visual mais pinturado, talvez não leve isso ao extremo — mas o material original ainda é uma prova de que, sob a fachada de um herói infantil, há um universo muito mais sombrio.
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