O Witcher 3 Remastered chega em 29 de setembro com uma atualização que aprimora gráficos, combate e interface, mas não corrige os problemas que tornaram o jogo icônico. E, segundo o jornalista do Polygon, isso é um acerto.

Após seis horas jogando no PlayStation 5, o título ainda se sente como o mesmo jogo de 2015: cheio de falhas, mas profundamente humano. A remasterização não tenta disfarçar suas imperfeições — e isso é o que o torna especial.

Quests que não foram fechadas

Um dos exemplos mais marcantes é a missão "Little Red", em Yantra. Geralt pode escolher apoiar os vilões ou os moradores, mas o jogo não entrega uma conclusão visual para o destino de Berthram, o homem que denunciou os bandidos. Apenas uma moeda e um diálogo vago. O mesmo acontece com outras missões, como "Gangs of Novigrad" e "Brothers in Arms" — falhas que permanecem inalteradas.

Apesar de não terem sido corrigidas, as melhorias mecânicas são bem-vindas. O sistema de habilidades foi reestruturado em uma árvore mais clara, com progressão mais fluida. A câmera agora segue Geralt melhor durante os movimentos, e o combate, embora ainda repetitivo, ganhou mais ritmo.

Gráficos e desempenho

A maior mudança está visual. Com suporte a Ray Tracing e 60 fps em modo de alta qualidade, o mundo de The Witcher 3 ganha detalhes sutis — sombras mais realistas, efeitos ambientais e animações mais elaboradas para sinais, esquivas e finalizações.

O cavalo, Roach, também foi aprimorado. A montaria agora é mais responsiva e menos frustrante, permitindo manobras em alta velocidade sem acidentes — algo que antes era raro.

Um jogo do seu tempo

O texto destaca que, se o jogo fosse lançado hoje, provavelmente seria alvo de críticas duras por sua mecânica rígida, falta de aprimoramento técnico e problemas de desempenho. O cenário atual de jogos exige perfeição, mas The Witcher 3 é um produto da sua época — e isso o torna único.

As falhas do jogo não são defeitos, mas parte do seu encanto. Assim como as obras de Michelangelo que pareciam "não terminadas", o jogo brilha justamente por sua imperfeição humana. Ele não precisa ser perfeito para ser memorável.

Se você não curtia o jogo original, a remasterização não vai mudar sua opinião. Mas para quem já o ama, é uma oportunidade de voltar ao mundo de Geralt com uma experiência mais limpa — sem perder o coração que o tornou um clássico.

Marca: www.polygon.com