Tim Schafer, fundador da Double Fine, afirmou em entrevista à BBC que já não entende mais a lógica econômica por trás do desenvolvimento de jogos. Sua declaração surge em meio a uma onda de demissões em massa no setor, especialmente após a reestruturação do Xbox, que resultou no fechamento de estúdios e na saída de centenas de funcionários.

Apesar de lançamentos de sucesso como Battlefield 6 — que foi bem recebido pela crítica e teve bom desempenho financeiro —, equipes foram demitidas logo após o lançamento. Isso, segundo Schafer, mostra um cenário onde o valor criativo não é mais garantia de estabilidade.

"Não entendo mais a parte econômica da produção de jogos", disse ele. "Durante anos, acho que entendia: demissões acontecem, aí precisam de gente de novo, recontratam. Mas agora está em queda há quatro anos. As pessoas estão jogando, ganhando dinheiro… então, só acho que alguém está sendo ganancioso em algum lugar. Mas espero que seja um ciclo e que as coisas se recuperem."

Schafer destacou que a criatividade no setor ainda é alta, tanto em jogos independentes quanto em títulos AAA. No entanto, o ambiente de trabalho nas grandes empresas tem se tornado cada vez mais tenso e desvalorizado. "Muitas vezes, seu trabalho não é valorizado — você é demitido assim que o jogo sai", afirmou.

Na visão do criador, os estúdios independentes enfrentam riscos diferentes: não há garantia de emprego, mas também não há a pressão de grandes lançamentos com metas financeiras rígidas. "Ambos têm seus riscos", concluiu.

Apesar das dificuldades, Schafer afirma que a Double Fine está firme. Ele já havia descrito sua saída do Xbox como um "despertar criativo", dizendo que ninguém vai levar a empresa à falência a não ser ele mesmo. "Ninguém vai atirar no meu cachorro. Eu é que vou atirar nele. Mas não vou atirar, porque ele vai se sair muito bem. Muita gente quer passear com o cachorro", brincou.

Na América Latina, o mercado brasileiro também sente os efeitos da reestruturação do Xbox. Com o foco em jogos digitais e o fim de lançamentos no primeiro dia no Game Pass, há preocupação sobre o futuro dos estúdios locais e de desenvolvedores independentes que dependem de plataformas como o Xbox e o PlayStation.