Após a saída da Microsoft, Tim Schafer e a Double Fine estão de volta ao mundo dos estúdios independentes — e com uma nova energia. A empresa, conhecida por títulos como Psychonauts 2, Kiln e Brütal Legend, está em plena reconstrução, com uma nova campanha de Kickstarter para o Amnesia Fortnight, um evento de desenvolvimento de microjogos que celebra a criatividade e a experimentação.

Um novo começo, com histórias e conexões

Segundo Schafer, o retorno à independência foi emocionante, mas também desafiador. A estúdio, que já foi parte da Xbox Game Studios por sete anos, agora tem liberdade para decidir preços, participar de eventos como a PAX West e criar projetos menores — como o novo Thank You Bus Driver, lançado sob o selo Double Fine Action Labs.

Ele destacou que a relação com a comunidade é essencial. A campanha de Broken Age foi um marco, não só por gerar recursos, mas por mostrar o envolvimento real dos fãs — não só financeiro, mas criativo. “Eles querem fazer arte também”, disse Schafer, destacando que o público da Double Fine é formado por pessoas que se inspiram no processo de criação.

Brütal Legend 2: brincadeira ou realidade?

Na campanha do Amnesia Fortnight, apareceu uma frase polêmica: “Brütal Legend 2 pode ser feito com US$ 100 milhões”. Schafer afirmou que era uma brincadeira, mas com um fundo de verdade. “Se alguém quiser investir US$ 100 milhões, eu paro tudo e faço o jogo — desde que o Jack Black concorde”, brincou. Mesmo assim, ele deixou claro que o objetivo não é buscar esse valor, mas sim continuar criando com liberdade.

Game Pass: esperança, mas não garantia

Apesar de ter sido parte do ecossistema da Xbox, Schafer ainda acredita no potencial do Game Pass. “Quero muito que ele funcione”, disse. Ele vê vantagens em um modelo de assinatura para jogos criativos e fora do comum, que podem não atrair o público imediatamente.

“Se o jogo já está no seu serviço, você já pagou. Então você tenta. Isso é bom.” No entanto, ele reconhece que o modelo ainda não decolou como o da Netflix. “Não entendo por que funcionou lá e não aqui”, admitiu. Por isso, a Double Fine está apostando em preços acessíveis e em experimentação constante.

Microjogos e o futuro da criatividade

Projetos como Kiln e os microjogos do Amnesia Fortnight se encaixam perfeitamente nesse novo caminho. “É sobre tentar coisas, sem gastar US$ 300 milhões”, explicou Schafer. Ele citou o conceito de “friendjank” — jogos casuais para jogar com amigos — como um reflexo do que a equipe quer explorar.

“A maioria dos jogos assim não funciona, mas você nunca sabe qual vai pegar”, disse. A ideia é criar um ambiente seguro para experimentar, sem pressão por sucesso imediato.

O mercado de games: um tempo difícil

Apesar do otimismo, Schafer não escondeu o cenário desafiador. “É um tempo ruim”, afirmou. Ele reconhece que o setor passa por uma crise profunda, com estúdios fechando e criadores saindo. “Não vejo isso como um ciclo normal. Parece mais uma mudança estrutural nos custos e na economia do mercado.”

“Mas ainda tem gente fazendo jogos, tem gente precisando de trabalho criativo. E isso não vai desaparecer. Ainda há espaço para quem ama o que faz.”