Raph Koster, veterano do desenvolvimento de jogos que trabalhou em Ultima Online e Star Wars Galaxies, está alertando sobre o colapso financeiro da indústria de games. Segundo ele, a obsessão por gráficos de alta resolução está se tornando insustentável, especialmente diante do aumento acentuado nos custos de produção e da estagnação nos preços dos jogos.

Koster afirma que o que antes era uma única textura de 128x128 agora se transformou em múltiplas texturas 4K com shaders e efeitos complexos. Apesar das ferramentas modernas, como o Substance, terem ajudado na produção, o custo total ainda cresce — especialmente com testes e compatibilidade entre todos os elementos visuais.

"O que usava para ser um único arquivo de textura agora é um ecossistema de dados que precisa ser gerenciado", diz ele. "E isso tudo se soma. E o preço dos jogos não subiu junto. Quem compra um jogo a R$ 250 hoje?"

Para escapar desse cenário, Koster defende a chegada de uma nova plataforma que não permita que grandes estúdios aproveitem sua experiência com jogos tradicionais. "Ela precisa ter uma nova possibilidade de gameplay que só é possível nela. E, sim, precisa ter gráficos ruins", diz ele, citando exemplos como jogos em Flash, games do Facebook, o Wii e os jogos móveis.

"O ponto é que essas plataformas reiniciaram a curva de custos. Elas não eram feitas para jogos de alto orçamento. E isso foi o que as tornou livres de uma competição que só favorece os grandes".

Ele acredita que, a menos que algo radical aconteça — como uma mudança tecnológica de escala, como a singularidade —, a indústria continuará em um ciclo de custos crescentes, demissões e preços estáveis. A solução, segundo Koster, está em uma nova base onde o custo de entrada seja baixo e o foco esteja no conceito, não na fidelidade visual.