Um estudo inédito conduzido por médicos do Ankaha Bilkent City Hospital, em Ancara, Turquia, descobriu que o uso de headsets de realidade virtual (VR) pode ajudar pacientes em estado de hipertensão aguda a reduzir a pressão arterial e a ansiedade de forma mais rápida do que medicamentos convencionais.

Os pesquisadores, entre eles o médico Dr. Safa Dönmez e o colega Dr. Kadir Yenal, aplicaram um experimento com 65 pacientes que chegaram ao pronto-socorro com pressão arterial acima de 180/110 mmHg — um cenário comum e perigoso. Todos receberam tratamento padrão, mas metade também foi submetida a uma sessão de VR com um ambiente virtual de floresta pacífica, acompanhado de músicas clássicas, especialmente obras de Mozart.

Os resultados, apresentados no Congresso Europeu de Medicina de Emergência (EUSEM 2026), mostraram que após 15 minutos, o grupo com VR apresentou uma queda significativa na pressão arterial e redução de ansiedade — entre 12% e 15% — superior ao controle. O efeito foi estatisticamente comprovado, ou seja, improvável de ser causado apenas pelo acaso.

Após 60 minutos, os efeitos se igualaram entre os grupos, mas a vantagem inicial do VR é considerada relevante em contextos de emergência, onde o tempo é crítico. "Para um paciente assustado e em dor, receber alguns minutos em um ambiente virtual calmo pode ser um alívio real", destacou Dönmez.

O estudo não indica que VR substitua medicamentos, mas sim que pode ser uma ferramenta complementar eficaz. Apesar do potencial, o uso generalizado em hospitais ainda enfrenta desafios — principalmente o custo dos dispositivos, que permanece alto no mercado brasileiro e internacional.

Entretanto, versões corporativas de headsets como o Pico 4 Ultra e o HTC Vive já são amplamente usadas em ambientes médicos, sugerindo que o caminho para a adoção em emergências pode estar se abrindo — ainda que lentamente.