Em Wardogs, morrer não é o fim. Pelo contrário: é o começo de uma nova chance. O jogo, um shooter militar de 100 jogadores com três equipes, criou um sistema onde ser revivido é tão comum quanto um tiro certeiro. Isso é algo inédito em outros FPS clássicos, onde a ajuda de um médico é uma exceção, não a regra.
Na maioria dos jogos de tiro com classes, como Battlefield, o jogador aprende a não contar com um médico aleatório. Muitas vezes, os suporte estão mais interessados em eliminar inimigos do que em salvar aliados. Mas em Wardogs, isso muda completamente.
Segundo dados da primeira semana de lançamento, os jogadores realizaram 61 milhões de revives em 123 milhões de mortes — uma taxa de ressurreição de quase 50%. Para um jogador que joga medic, isso é impressionante. E o porquê disso está no sistema de recompensas.
Wardogs não premia apenas matar. A moeda do jogo é ganha com ações úteis: curar, transportar, construir, marcar alvos e até ajudar no combate sem atirar. Um único revive rende quase tanto quanto uma morte inimiga. Além disso, os jogadores que são revividos costumam dar gorjetas e pagam bônus quando voltam a matar.
Isso transforma o papel de médico em uma das formas mais lucrativas de jogar — algo que poucos jogos conseguiram equilibrar. O jogador não só se sente útil, como ganha dinheiro para melhorar seu equipamento, comprar veículos ou aumentar o tamanho da mochila.
Outro fator que ajuda é a acessibilidade. Qualquer jogador pode reviver um aliado, mesmo sem ser medic. Basta arrastar o corpo e usar a ferramenta de revive rápida, que é fornecida uma vez por partida. O sistema foi bem pensado: reviver à mão é lento — cerca de 20 segundos de animação com os soldados se esfregando como se estivessem carregando um desfibrilador — o que torna a ajuda rápida e eficaz apenas quando alguém está realmente disposto a ajudar.
Com isso, o jogo criou um ambiente onde a cooperação é natural, não obrigatória. E, em um mercado cheio de jogos onde o suporte é negligenciado, Wardogs se destaca como uma das experiências mais humanas e gratificantes do gênero.