A CEO da Xbox, Asha Sharma, teria afirmado em uma reunião interna que a empresa "não sobreviverá" se depender apenas de franquias antigas. A declaração foi divulgada por meio de um trecho do transcrição da reunião, compartilhado pelo Windows Central.

Segundo a mensagem, Sharma destacou a necessidade de criar novos IPs (propriedades intelectuais) com coragem e inovação, para alcançar novos públicos. "Precisamos encontrar novas formas e coragem para inovar em novos IPs que alcancem novos conjuntos de audiências", disse.

Apesar do discurso, o que tem acontecido na prática é bem diferente. Nos últimos meses, a Xbox passou por uma série de cortes drásticos: estúdios como Double Fine e Compulsion Games foram desativados, Obsidian foi redirecionado para o desenvolvimento de novos capítulos de Fallout, e a equipe da Arkane Lyon foi alvo de reorganização.

Essas decisões geram um contraste claro com o discurso de inovação. Muitos dos estúdios afetados tinham projetos originais em andamento — como *South of Midnight*, da Compulsion Games — ou eram conhecidos por trabalhos criativos e ousados, como a Double Fine.

Um único contraponto é o anúncio da aquisição do projeto de Hideo Kojima, *Physint*, que, embora não seja um IP totalmente desenvolvido pela Xbox, representa um esforço em direção a novas propostas.

Analistas veem o discurso de Sharma como uma tentativa de justificar uma estratégia de foco em franquias consolidadas, como Halo, Forza e Starfield. No entanto, a clareza do discurso é abalada pelas ações concretas: cortes massivos, desativação de estúdios e priorização de títulos existentes.

Para muitos desenvolvedores, especialmente no Brasil e em outros mercados com forte presença de indústria de games, o cenário gera preocupação. A percepção é de que a empresa está tentando manter o mesmo modelo de lucro, mas com menos investimento em criatividade — o que pode afetar a longevidade do setor.