Jon Kimmich, ex-funcionário da Microsoft com 16 anos de experiência no desenvolvimento da marca Xbox, afirma que o console precisa escolher entre ser um bom editor de jogos ou um verdadeiro plataforma de jogos — e não pode ser ambas as coisas ao mesmo tempo.

Em análise publicada no GamesBeat, Kimmich destaca que o Xbox deve ser mais do que uma coleção de serviços. É sobre o relacionamento com jogadores e desenvolvedores: o console, o modo Xbox, comércio, identidade, propriedade, comunidade, ferramentas e suporte a terceiros.

Segundo ele, a estratégia atual da Microsoft, com foco em maximizar eficiência como editor, está minando o próprio valor do Xbox como plataforma. "Microsoft Gaming pode crescer enquanto o Xbox como plataforma encolhe", diz.

O ex-veterano critica a falta de direção clara ao longo dos anos, especialmente durante o período de Phil Spencer, quando o slogan "play anywhere" ampliou o público, mas não criou um motivo convincente para escolher um Xbox.

"O Xbox se tornou tudo e nada; para todos e para ninguém", conclui. A ausência de um posicionamento claro, diz ele, deixou o console sem identidade, especialmente em um mercado onde concorrentes como Sony e Nintendo têm foco definido.

Com o Project Helix, a nova geração de console da Microsoft, o risco é ainda maior. Se o aparelho for voltado principalmente para jogos de PC — como parece —, ele pode acabar sendo apenas uma forma de acessar o Steam, sem atrativo próprio.

"Um Xbox que só serve para lançar o Steam é como subsidiar a caixa registradora da Valve", afirma Kimmich. O perigo, segundo ele, é que o console acabe se tornando um mero acessório, sem valor próprio, perdendo espaço para concorrentes como o Nintendo Switch 2.

Ele lembra que, no início do Xbox, o foco era conquistar o espaço da sala de estar, com jogos exclusivos como argumento central. Primeiro, o console tinha que existir; depois, os jogos eram o que dava direito ao Xbox de estar lá.

Com o mercado de hardware pressionado por demanda de inteligência artificial, o novo console precisa ser mais do que um produto de transição. "O Xbox não pode mais ficar no meio do caminho", diz o ex-veterano.